segunda-feira, 28 de maio de 2012

4 cadeiras


Ata (minimalista) referente a reunião de 25 de maio de 2012.

4 contistas de cantos diferentes
1 paraibano + 1 recifense + 1 carioca + 1 gaúcho = 4 contistas
Foram 4 mesmo? Ou deveríamos recontar?
Laudelino diria: “Reconte”
Próximo tema: Tatuagem

Jéssica Mouzinho

* * *

Ata

Sábado passado, 26/05/2012, o Clube do Conto da Paraíba (CCP) se reuniu no Shopping Sul, sob a brisa da noitinha e a sonoridade passante de criaturas de subiam e desciam a rampa de acesso ao primeiro andar, como se deslizassem no tempo. Estiveram presentes Laudelino, Sérgio, a engenheira escritora Jéssica e esse que vos escreve. Depois do prelúdio que atualizou a todos nós com informações gerais e pessoais, debatemos sobre o livro do CCP, surgiu então a dúvida: quem fará a revisáo final? Em seguida, Lau leu um conto para romper com o intervalo silencioso de seus escritos. Por fim, foi feito uma leitura visual das tatuagens de Sérgio, o que motivou o tema do próximo sábado: tatuagem.

Sem mais para acrescentar, deixo a ata em aberto para que algum(a) colega, escritor, fuxiqueiro ou colaborador possa contribuir...

Até sábado.

Carlos Cartaxo

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Cordel Atado


Ata referente ao dia 5 de maio de 2012.
Aqui então nesta ata
Vou recontar um encontro
Desses que posso lembrar:
Um tal de Clube do Conto,
reunião lá num shopping
próximo ao café do ponto.

Pode-se contar história
Verdadeira ou inventada
Nem precisa de ingresso
Pra contar a sua toada
E chegar e se largar
Numa cadeira escanchada.

Também por aceitação
Se convida o povo alheio
Passarinho curioso,
Mosquinha de entremeio
Tudo muito escandido
Para contar sem receio.

Na contagem deste sábado
Veio o povo costumeiro
E uma tal de Janaina
De talento por inteiro
E demos o pontapé
Que tempo custa dinheiro.

Foi conto pra todo lado
E risadagem também:
Pequena grande Romarta
Deu-nos conto de vintém,
Beto até jogou trocado
Nos despoemas que tem.

Valéria quis desafio,
Norma ficou no padrão,
Laudelino ficou ao lado
Costurando a contação
Era este o tal do ritmo
Do nosso conto-baião.

Ainda Jéssica e Sergio
Na emenda o fio de prosa
Parecíamos um fieis
Gritando em polvorosa
As histórias de calibre
Do Clube que nos entrosa.

Assim eu fecho esta ata
De pavão misterioso
E assino e dou fé
Como quem bota um ovo
Online e redondinho;
Quem quiser conte de novo.

André Ricardo Aguiar

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ata Unificada


Ata referente as reuniões dos dias 17, 24 e 31 de março de 2012.

Três reuniões do Clube sem ata. A resistência dos membros em fazê-la tem apenas um único motivo: livros lançados e a serem lançados. Então, Romarta decretou: Sérgio faça a ata! Disse-lhe que não. Também não tenho tempo. Escrevo no momento uma peça e etc, etc... Mas houve mensagens dela pra meu cel. “Ei Sérgio, cadê a ata?” Como hoje é sexta-feira da paixão, este milagre tinha que acontecer. (A propósito, qual dos apóstolos fazia a ata das reuniões deles com Jesus?) Traduzi o irrecusável decreto pra versão pedido... (como ser resistente a qualquer pedido, vindo com um belo sorriso hipnótico e de um olhar verde de quem vive admiravelmente seus verdes anos?!) e aqui estou, começando por tentar lembrar os presentes, bem como de quem levou conto.

Regressando ao recente passado, lembro que no sábado dia 17 do mês de março passado, estavam Cartaxo, Laudelino, Wander, eu e mais os que vão ter que me perdoar por não lembrá-los. Só eu levei conto, cujo tema era “cheiro”. 

Sábado, 24/03, celebrou-se o lançamento do livro “Rapunzel e outros poemas da infância”, de Jairo Cézar, na Livraria Leitura. Por esse justo motivo não houve a reunião. Estávamos dispensados pra comparecer e prestigiar o poeta. Quem compareceu? Lembro-me de eu ter ido. Por lá estavam Jairo Cézar, o tempo todo sentado com cara de dor na mão que empunhava a caneta, além de Norma, Romarta, Lau Siqueira e... fora os ausentes que não compareceram, outros do clube não foram porque estavam enchendo a cara em Boqueirão. Que inveja!

Último sábado, 31 de março, dia no qual quem compareceu comentou o Golpe. O Clube do Conto está sendo duramente golpeado pelas insistentes ausências. Temos que nos armarmos pra resistência! Presentes estavam Carlos Cartaxo, Norma, Thiago, Laudelino, eu e Luciana que não ficou pra reunião, só deu as caras pra dizer que ainda nos tá devendo o conto sobre “sapatão”. Na espera por vir mais gente, teve os informes de Cartaxo sobre o projeto do livro do Clube no FMC. No segundo informe de Cartaxo ele implora textualmente: 

“Pessoal: Lembro que no dia 21 de abril, sábado, pouco mais de uma dezena de jovens escritores de Nova Palmeira virão participar de uma reunião do Clube do Conto da Paraíba. Sugiro que o tema do dia 21 seja algo como Palmeira para fazermos uma recepção surpresa para os visitantes. É bom nos programarmos antecipadamente para termos um bom público nesse dia. Lembro que ficamos de realizar uma oficina para eles das 15 às 17 horas lá no Núcleo de Teatro Universitário. O tema da oficina somos nós que definimos. Wander se prontificou pra ministrar algo. Alguém mais se propõe?”

Depois de exposto este desafio, veio o melhor momento: Piadas. ÉÉÉ... agora na reunião dos contistas tem-se a seção Piadas. Os contistas mais espirituosos... atrevidos mesmo, podem contar piadas. Regra única: Será permitido apenas gargalhadas, risos e sorrisos, nada de críticas, tais como “não teve graça”, “desista, você não sabe contar piada” e coisas do gênero. A única manifestação aceita é de achar graça. Então, vieram as piadas contadas por Norma e por, teatralmente, Cartaxo. Só os dois foram corajosos em enfrentar o risco da situação iminente de não haver risos. Contos só tiveram dois. Ninguém sabia do tema, se é que havia. Norma, com o conto A Queda, interpretada pela voz marcante de Cartaxo, expõe o fatal destino dos seres no Reino Vegetal. Thiago apresentou-nos um texto cursando pelo frenético verbo metafórico. Entenderam? Texto que divaga em torno de uma faca sobre a mesa, cujo título explica tudo: Almir. Laudelino, quando está diante de textos complexos e surreais (viajadões mesmo), disse o que sempre diz: “Gostei, mas preciso ler de novo, com calma, pra dar minha opinião”.

Então tá. Findo, por fim, esta longa ata pensando estar pondo em dia nossas atividades.

PS: Terceiro sábado que não há açaí. Viu Romarta!

Sérgio Janma, cansado e sem nenhuma inspiração.

sábado, 10 de março de 2012

Gráfico e reunião


Ata referente ao dia 3 de março de 2012.

O gráfico da reunião foi assim:
              . . . 
            .      .
          .         .
        .             .
   .....                .
...                       .

Em matéria de número de participantes. É isso, o eixo x diz respeito ao tempo, e o eixo y, ao número de participantes . Como eu só apareço próximo ao cume, cheguei atrasado, porque, nunca fiz uma ata do clube do conto, justifica-se o atraso nela? Minha barra de espaço tá foda, antifoda, meu tecladoquerqueasletrassaiamentremcheguemtodasjuntaspregadinhasassimtãosexualquantooprópriocontoquebetoliaempolgadamente. Lia, um pretérito imperfeito, não Lia, um segundo nome estranhamente feminino de beto, mas eu já conheci um Carol, inspirado no papa, nem aquela menina maravilhosa, Lia, que, não ela que não estava na reunião, mas que se estivesse teria sido melhor ainda, ou não, quem sabe?, quem sabe aquela energia, aquela presença-ralo dela não teria tirado todas as nossas forças,  as forças de, um bom momento pra inserir os presentes, que ambíguo, os presentes, as forças de!: João Adolfo, visita que eu levei, Mabel Dias, visita, Laudelino Menezes, de casa e irmão de Beto Menezes, como se pode constatar a olho nu, André Ricardo que não deveria constar aqui porque aquilo não são horas, não são, às 2h50 ou às 9h12 qualquer relógio sensato riria da cara dele por tamanho não ser horas, e ele ainda me diz que eu só vou de vez em quando, mas eu expliquei, expliquei que tou fodido com essa porra toda, que tá foda, Sérgio Janma, Norma Alves, que me lembra que eu fiz direito, Maria Romarta, todos pessoas da melhor índole, ou seja, velhas o suficientes nessas reuniões que fazem d'um shopping o que ele não é. 

Pois a reunião parecia fadada a não acontecer, parecia que não havia com quem se contar para contar algo, um conto, quando Beto apareceu com um excesso de conto, um contão, e aí isso também poderia render um bom gráfico, quantidade de conto ao longo do tempo, sairíamos do eixo x para um violento salto quase inteiramente vertical, ereto como os paus do conto, desculpa mas não vou apagar, rumo ao eixo y. Quando eu cheguei beto Lia empaugadamente seu contão, e até os erros de leitura estavam encaixando bem com aquela leitura sedenta e esfomeada e seca que avançava sobre as palavras devorando-as e engasgando-as e às vezes até cospindo-as e vomitando-as, foi bom. Vieram observações, no sentido de comentários, pra ficar claro, do tipo, isso não se anotou... Alguém disse que era a sina das atas, sua forma consagrada, o fluxo de consciência. Alguém disse que alguém disse. Mas não era a minha intenção. Deve ser porque, esse alguém, esse último alguém, um alguém superior, transcendente, esse espírito domina os ateiros, na minha terra ata é o que vocês chamam de pinha. Assim sem me lembrar, eu me sinto com as mão atadas, eu já pensava nesse trocadilho desde lá em cima. Hora de ser objetivo, 01h40 é a hora universal de ser objetivo, essa hora em que o relógio está com as pernas bem abertas em diagonal, parece uma dançarina extremamente flexível, uma ginasta, é a hora Dayane dos Santos. É essa a hora também em que, merda, essa geladeira começa a apitar, parece uma criança chorando, até que alguém aperte aquele botão, crianças são mais difíceis de serem caladas, ainda não inventaram um botão, graças ao bom pai. Respira. 

Aos três dias do mês de. 
Vai demorar muito, já é quinta.

Todos apreciaram o conto de Beto. Beto explicitou que se trata da sua leitura de Lolita. Comentou-se que, mesmo se tratando de uma longa narrativa, o texto é capaz de prender a atenção do leitor. Foi discutido ainda que as personagens devem refletir experiências reais do autor. Laudelino apontou que esse conto já havia sido lido; Beto expôs que sim, em uma versão simplificada.

Hum, acho que foi isso.

Em seguida (após um breve silêncio que dá ensejo para que o próximo contista, se não for tímido demais, possa se colocar), foi lido o conto de Thiago Arruda. Naquele dia, esses eram os dois únicos contos disponíveis (ficou claro que o outro conto era o de Beto? Não é possível...) O conto de Thiago Arruda, que era bem mais curto, em fluxo de consciência, gerou duas discussões: a primeira se referia à possibilidade de compreensão dos textos nesse formato; a segunda, ao porquê de o texto não estar justificado (Word etc.).

Deixa essa parte assim porque se tu for detalhar as discussões vai ficar grande demais. É, eu também acho. Reviso? Não, não, tá de boa. Era isso que eu queria ouvir. 

Adendo: o tema do próximo encontro é. 
(A assistente de palco puxa aos poucos o envelope. É possível ver um R, um E, um HLUM, quem consegue ler ao contrário?)

Mulher, e cada um subtematiza livremente.

Thiago Arruda

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Conto de Romarta


Conto de Maria Romarta.

* * *

SEPARADOS

A chuva brincava de sumir e aparecer, então, Luíde nem se dava ao trabalho de fechar o guarda-chuva. Lílian havia esquecido o dela, por isso se abrigava ali, junto do ex-marido. As malas rente aos pés dos dois também se valiam daquele abrigo.

Eles estavam a passar um final de semana na casa de campo que tinham. Tudo ia muito bem até que Luíde, do filho, se pôs a lembrar.

- Se ele tivesse sobrevivido ia gostar de brincar naquele campinho.

-Com essa chuva toda?

-Não. Nos dias de sol.

-Também gostaria que ele estivesse aqui.

-Mas bem que eu pedi a você, Lilian, não vá ao trabalho, você precisa de repouso, fique em casa! Mas você foi. E lá acabou tropeçando, caindo da escada... Se tivesse me ouvido...

Depois disso, simultaneamente cada um fez as malas, cada um tirou seu carro da garagem e saiu estrada a fora. Foi aí que se tornaram ex. Porém, não foram muito longe, a estrada tentou, até que conseguiu prender os carros ao chão.

Juntos de novo, mas separados e numa ideia conjunta, o casal caminhou até outra estrada que havia mais adiante e cada um ligou pedindo um táxi.

Sob o mesmo guarda chuva os dois mentiam calados, sozinhos. Após uma eternidade, um táxi apontou naquela estrada, ziguezagueando pela lama. Era o que Lílian havia chamado. O taxista, eterno de simpatia, disse qualquer coisa sobre quase não ter conseguido chegar até lá. Ela não deu muita importância, foi guardando as malas, enquanto, Luíde somente observava a chuva ir abraçando o rosto dela.

- Você vem?- O taxista perguntou ao ex.

- Não, estou esperando outro táxi.

Lílian entrou naquele carro pela porta da esquerda e acenou pelo vidro, como quem dizia milhões de coisas.

Nesse momento, Luíde percebeu que despedida tem gosto, não necessariamente bom.

Aquela despedida, aliás, tinha um gosto. Gosto de quando a gente fala o que não deve.