terça-feira, 18 de abril de 2006

Antologia à vista

A Funjope publicará proximamante uma antologia de contos do Clube do Conto da Paraíba. Os textos que comporão a Antologia, todos apresentados pelos contistas em sessões do Clube, já estão reunidos e em fase final de revisão.

Jabuti, o Clube do Conto já tem um!

Resenha do livro "A Família Canuto" premiado com o Jabuti de Literatura, de CARLOS CARTAXO, membro ativo do Clube do Conto da Paraíba

ANATOMIA DA RESISTÊNCIA NO LATIFÚNDIO AMAZÔNICO

Domingos Meirelles*

Ao resgatar a tragédia que se abateu sobre o clã dos Canuto no Sul do Pará, Carlos Cartaxo produziu um relato comovente de uma das páginas mais sórdidas da vergonhosa história do latifúndio na região amazônica: o confronto desigual e perverso entre os grandes fazendeiros e os trabalhadores rurais que lutam para sobreviver, num ambiente desapiedado e hostil, onde o código gelatinoso das leis se orienta mais pelo tilintar das moedas do que pela boa aplicação do direito.
Nessa terra de ninguém, onde os interesses econômicos se amancebam com a impunidade e a corrupção, é que trafega a narrativa romanesca de Cartaxo, em sua denúncia social sobre os crimes cometidos no rastro do destrambelhado processo de ocupação da Amazônia promovido pelos governos militares, a partir de 1964. Com um texto claro e contundente, despojado de arabescos literários, mas com sabor de romance, o autor nos conduz pela trilha de esperanças que João Canuto percorreu, do interior de Goiás ao Sul do Pará, onde seus sonhos foram enterrados junto com ele.
O tom romanesco que perpassa as páginas do livro, onde a mistura de jornalismo e literatura tem o compromisso de realçar a denúncia das misérias do campo, não compromete o caráter documental da obra; ao contrário, imprime ao relato de Cartaxo extraordinária dimensão humana, sem que ele se deixe contaminar pela criação de heróis bem construídos, criados ou revelados em narrativas semelhantes, como é comum no gênero. Os personagens que recolheu entre as muitas desgraças que povoam Rio Maria foram reconstituídos com alma, carne e ossos, sem que o autor lhe conferisse uma aura que os singularizasse como "seres excepcionais". Cartaxo não forjou mitos - ele fala apenas de homens e mulheres, gente pobre do campo que não se curvou diante da opressão e do arbítrio. Com a precisão e a clareza de uma aula de anatomia, ele expôs as misérias e grandezas de uma família de camponeses que se transforma num exemplo de resistência diante da espoliação dos fazendeiros da região.
Em sua maioria representantes de uma burguesia emergente e arrogante, vinda de outros lugares, os grandes proprietários não suportam a coragem, a determinação e a altivez dos Canuto - João, a mulher Geraldina e os filhos ainda adolescentes. Acusado de invadir fazendas, quase todas latifúndios improdutivos, em companhia de posseiros expulsos de outras roças, Canuto atrai o ódio dos novos ricos empenhados em aumentar seu patrimônio a qualquer preço na floresta amazônica. Em Rio Maria, havia ainda outro bom motivo para que essa oligarquia moderna, "cria da ditadura militar", detestasse a presença de Canuto naquele lugar: ele era também um dos mais ativos militantes do PC do B na região.
Numa tarde escaldante de dezembro de 1985, João Canuto foi tocaiado e morto por dois pistoleiros de aluguel com 14 tiros à queima roupa, um deles na cabeça, um pouco acima da sobrancelha direita. Foi morto na rua, para que todos vissem. A multidão compungida, que acompanhou seu corpo pelas ruas, entoava hinos religiosos e cantava a música Pra Não Dizer que Não Falei das Flores, de Geraldo Vandré. Canuto foi enterrado no novo cemitério de Rio Maria, onde a maioria das covas abriga centenas de posseiros, vítimas como ele, da violência no campo.
A cena do enterro é uma das páginas mais comoventes do livro. Nas faixas que seguiam à frente do cortejo, lia-se uma palavra de ordem: "Reforma Agrária, Já!" Na floresta de estandartes e galhardetes, que seguia o caixão, viam-se bandeiras do PC do B e do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Rio Maria.
O fazendeiro mandante do crime foi solto através de habeas corpus. Os assassinos foram também contemplados com o mesmo benefício. Libertado, o mandante deixou a região, cumpriu breve exílio voluntário em Goiás, e quando o caso esfriou, retornou a seus afazeres, no Sul do Pará.
O Processo foi engavetado e ninguém foi condenado. A família Canuto ainda perdera mais dois filhos, executados a mando do latifúndio. Em 93, permaneci dez dias em Rio Maria produzindo um Globo Repórter. Então, pude entender porque a violência e a impunidade se apossaram daquela região. O livro de Cartaxo é um comovente libelo contra a barbárie no campo.

* Jornalista, apresentador do programa "Linha Direta" da Rede Globo, e escritor, autor de "As Noites das Grandes Fogueiras - Uma História da Coluna Prestes".

Resenha publicada na Revista "Saber" , Ano I - Nº 3, julho/agosto - 2001, p. 31.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Membros do Clube em Contos Crueis

Vários membros do Clube do Conto participam da coletânea "Contos Cruéis", que acaba de ser lançada pela Geração Editorial. São eles: Geraldo Maciel, Marília Carneiro Arnaud, Wellington Pereira, entre outros escritores da Pataíba.

Confira:

O livro Contos Cruéis, organizado pelo professor de Literatura Rinaldo de Fernandes, traz o que há de melhor sendo produzido na literatura nacional contemporânea sobre um tema polêmico: a violência, que está cada vez mais presente em nossas vidas.São 47 contos, entre inéditos e consagrados, um de cada escritor, entre canonizados, veteranos e novatos de várias regiões do país. Antes de cada conto há um pequeno perfil do autor, com a bibliografia de outros de seus trabalhos. Há trabalhos consagrados como Feliz Ano Novo (Rubem Fonseca), A casa de vidro (Ivan Ângelo), Venha ver o pôr-do-sol (Lygia Fagundes Telles), Capitu sou eu (Dalton Trevisan), O jardim das oliveiras (Nélida Piñon), entre outros. Há também obras de Marçal Aquino, André Sant'Anna e do próprio organizador do livro.Indicado para pessoas de estômago forte e não facilmente impressionáveis, que tem curiosidade em saber como escritores de diversas regiões do país convivem com um tema que atormenta, mas ao mesmo tempo fascina.
INFORMAÇÕES
Autor(a): Rinaldo de Fernandes (org.)
Páginas:420
Editora:Geração Editorial
ISBN:857509145-X
Preço Sugerido: R$ 48,00

Clube do Conto

Clube do Conto A HISTÓRIA DO CLUBE DO CONTO SEGUNDO DORA LIMEIRA:
PRIMEIRO CAPÍTULO:

Tudo começou quando o poeta Antônio Mariano criou a lista de contistas na internet e nos convidou para participar. Na lista, conversa vai, conversa vem, MValéria Rezende dizia que mora atrás do shopping sul. Ainda através da lista, eu dizia que moro bem pertinho, que às tardinhas eu costumo tomar cafezinho no shopping. Daí que Valéria dizia: "Ah, Dôra, quem sabe tomamos cafezinho toda tardinha sempre em mesas vizinhas sem nos conhecer!" Através da lista, marcamos encontro, eu e ela naquele mesmo dia, à tardinha, para nos conhecer. Essa foi a primeira idéia nova: extrapolar o virtual para um encontro presencial. Daí que, olho no olho, conversamos muito, tomamos muito cafezinho, muito chocolate, compartilhamos coisas que escrevemos, nossos métodos ou modos de criar, facilidades, dificuldades, a solidão do ato de escrever, a falta de partilhamento, e por aí vai. Daí trocamos a seguinte idéia: E se?...
(Aguardemos o segundo pequeno capítulo)

Dôra Limeira

Clube do Conto

Clube do Conto História do Clube - 2º Capítulo

SEGUNDO CAPÍTULO - E se?

E se pudéssemos reunir o pessoal da lista para umas conversas informais nos finais de tarde dos sábados? Os encontros poderiam acontecer ao redor de uma mesa do Cafézinho. Dito e feito. Primeiro veio Mariano, depois André Ricardo Aguiar, eu, Valéria, depois chegou Dira Vieira. Eu ainda nem conhecia Dira pessoalmente. Foi uma festa. Trazíamos nas bolsas nossos contos inéditos. Marília Carneiro Arnaud também chegou. Líamos nossas histórias, nos comentávamos. Os assuntos e os contos eram aleatórios. Mais pessoas iam chegando. Barreto (Geraldo Maciel), por exemplo. A cada sábado, mais gente. Juntávamos duas mesas do cafezinho. Era uma coisa muito apertada, um pouco tumultuado devido à promiscuidade com os passantes e alguns ficantes curiosos. Muito barulho no hall do shopping, ora era dia da criança, ora era desfile de modas infantis, ora era música ao vivo lá em cima, ou baile de deficientes físicos da APAE, enfim, um barulho infernal. Pensamos em mudar de lugar. Eis outra idéia nova: mudar de lugar. E se?

Dora Limeira

Clube do Conto

Clube do Conto História do Clube - 3º capítulo
22 de dezembro de 2005

TERCEIRO CAPÍTULO

Pensamos levar os encontros para a livraria de Assis, naquelas mesas de vidro redondas que existem lá dentro da livraria. Quem sabe teríamos um pequeno público para escutar nossos contos, os frequentadores da livraria. Mariano e Valéria chegaram a falar com Assis. E mais gente ia chegando. Foi nos encontros aos sábados que conheci pessoalmente Pepita, uma das "quatro luas". Depois Zezé Limeira também se juntou ao grupo. Zezé Limeira também é uma das quatro luas, juntamente com Pepita (Mercedes Cavalcanti), Valéria e Marília. Até Lau Siqueira apareceu por lá. Foi uma festa. André com suas menininhas passantes sempre vinha com uma enorme bolsa, de onde sempre retirava alguma novidade: um jornal, uma revista, um livro ou mesmo um correio das artes. Era sempre um regozijo cada encontro. Num determinado momento, Dira falou que nem sempre poderia estar presente aos encontros, por causa "das teias que a prendiam em casa". Foi o suficiente para surgir outra idéia nova: a idéia dos contos temáticos. O primeiro tema, nem precisaria eu estar dizendo, foi exatamente retirado do mote dado por Dira: "As Teias". Outras idéias surgiriam ao longo da história.

Dora Limeira

Clube do Conto

Clube do Conto História do Clube - 4º capítulo

QUARTO CAPÍTULO - Objetos de cena

Depois das teias, que seriam o tema geral de nossa primeira mini publicação, outras idéias surgiriam ao longo da história. A essa altura, Ronaldo de todos os Montes já estava integrado, dando sustança ao grupo. Seu texto sobre as teias foi um poema, ao contrário de todo o mundo que fez conto.

"Velório" foi outro tema. Todos se esmeraram em torno de defuntos imaginários, viuvas chorosas, amantes disfarçadas, coroas de flores, velas e não faltou uma mosca perturbando o sono eterno dos defuntos, pousando às bordas dos narizes de alguns finados. Para completar o clima, André resolveu acender uma vela no meio da mesa, em pleno cafezinho. Não sabíamos se ríamos com a vela de André ou se chorávamos penalizados com tantas viuvas, órfãos e outros desprezados da sorte.

Enquanto isso, as negociações com Almeida prosseguiam acerca de um lugar mais sossegado para os encontros da galera. Onde? Mas, ainda não seria naquele dia que teríamos a definição. Valéria e Mariano se empenhariam mais nesse sentido. O grupo se animava. Aécio é um amigo de Mariano que mais pareceu um meteoro. Apareceu apressado e, com a mesma pressa, sumiu até hoje.

Ah, e o próximo tema? Huuummmm... Escatologia! As mentes perversamente iluminadas dos contistas já elaboravam idéias acerca do possível objeto de cena.

Dora Limeira
23-12-2005

Clube do Conto

Clube do Conto História do Clube - 5º capítulo
QUINTO CAPÍTULO - Um tema difícil

Huuummmm... Escatologia! Que tema imundo. A turma sapateou em cima de catarro, vômito, merda, sangue se derramando, borbulhando, saindo de jugular afora. Eu preferiria não citar nomes, mas não posso deixar de citar Regina, se revelando, já bem integrada ao grupo, falando de sebozeiras, assim desenvolta, sem a menor cerimônia. Se eu não me engano Rona falou de mosca em defunto. O bicho é seboso, quando quer ser. E ainda fala de mim.

Mas, vamos ao que interessa: Eu levei o objeto de cena, desfilei com ele de shopping adentro até chegar à mesa do cafezinho, onde já estavam reunidos Barreto, Zezé Limeira, André, acho que Simone Maldonado, Regina Behar, Valéria se eu não me engano. Ah, Dira também estava, e registrou tudo com sua máquina indiscreta. Ronaldo Monte também chegou junto. Me desculpem os que foram esquecidos, sinto muito. Faz parte.

O objeto de cena era um imenso penico de alumínio com um bolo inglês dentro (massa pronta). O bolo estava desarrumado, todo troncho, com uma cobertura marrom escura de chocolate, gosmenta, desarranjada. Misturados àquela cobertura gosmenta, havia pedaços de papel higiênico, sujos de chocolate. Parecia que alguém com diarréia braba tinha usado o penico, tinha se limpado e jogado o papel lá dentro. E assim, inspirados nesse cenário, íamos lendo nossos contos. Tinha gente que se contorcia de tanto rir. Como ainda estávamos usando o espaço do cafezinho, os passantes olhavam, detinham-se um pouco e nada entendiam. As paquerinhas de André que passavam por ali devem ter ficado horrorizadas. Vale ressaltar que, à época, Veruska ainda não tinha pintado no pedaço.

Ao término das leituras dos contos escatológicos, foi a hora do lanche. Todos comeram da sebozeira que estava dentro do penico. Aliás, uma delícia. Só quem não comeu foi Barreto. "Quero comer essa porcaria, não!!!", dizia ele. Mas, que cabra besta.

Parece que foi nesse dia que Assis Almeida nos deu a notícia de que teríamos o espaço por trás da livraria à disposição pros nossos encontros. Cadeiras e mesas estariam disponibilizadas por cortesia da Associação dos Lojistas do shopping. Assim, no sábado seguinte, ocupamos o novo espaço, com faixa fixada na parede e tudo. E se chovesse?

Muito obrigada, Laudelino, por ter se manifestado a favor da continuidade dessa história verídica, científica, factual. Com alguns respingos de ficção.

Dora Limeira

Clube do Conto

Clube do Conto - História do Clube - 6º capítulo
SEXTO E ÚLTIMO CAPÍTULO – Novas gentes, novo espaço, novas idéias.

Acomodados, descortinando o estacionamento externo e as pessoas passantes na rua, dispondo de três mesas, doze ou quinze cadeiras, inauguramos o novo espaço. Por coincidência, esses tempos de mudanças trouxeram João Batista B. de Brito e Carlos Cartaxo ao convívio dos sábados à tardinha. Excelente aquisição. Já no novo espaço, enquanto conversamos, lemos textos e sorrimos, as pessoas na rua nos olham com certa curiosidade, uns achando que estamos em algum cursinho, outros pensam que fazemos estudo bíblico, outros indagam se estamos em reuniao da paz pela paz. Um menino que toma conta dos carros falou para Mariano: “Já vai para a aula, professor?” Um senhor bastante idoso, quando me dirigi ao carro após uma das reuniões, perguntou se qualquer pessoa pode participar “nesse tal de clube do conto”, se existe limite de idade, se é de graça, o que precisa para participar, se precisa se cadastrar. Às vezes as pessoas se intrigam e, querendo saber do que se trata, resolvem se aproximar, sentar e participar, nem que seja meteoricamente. Uma das coisas boas daquele espaço é que fica às margens de um pequeno jardim, a grama muito verde. Do local das reuniões dá para se ver toda a extensão da frente e da lateral da casa de Valéria.

Assis da livraria Almeida mandou fazer uma faixa grande e mandou colocar no alto da parede, escrito assim na faixa: “Clube do Conto da Paraíba”. Fábio, do Cafezinho, se dispôs a segurar a infraestrutura de cafezinho, chocolate, água e outras coisas que a gente por ventura venha a precisar.

Claro que nem tudo são apenas jardinzinho e grama verde, cafezinho e chocolate, contos e capítulos de romances. É verdade que às vezes passa um trio elétrico em frente ao clube, no meio da rua a gritar fazendo propagandas de lojas, lanchonetes, peças de teatro besteirol, etc. Mas, são coisas passageiras, e fazem parte.

Lembro-me de que um dos primeiros temas já no espaço novo foi exatamente “celular”, aproveitando o mote de uma companheira cujo celular não parava de disparar: era a filha. No sábado seguinte, antes de iniciarmos as leituras, decidimos juntar todos os celulares no centro da mesa e deixar que tocassem sem que ninguém atendesse. Seria o objeto de cena para as leituras dos textos. Dira fotografou, por sinal ficou ótima a fotografia daquele monte de celulares amontoados no meio da mesa, uma das melhores fotos. Ainda guardo em meus arquivos.

As semanas foram se passando. Um grupo de pessoas mais entusiasmadas sentiu necessidade de maior divulgação do grupo. Daí surgiu a idéia de Barreto de André de editar as “Atas do Clube do Conto”, que deveriam ser espalhadas onde fosse possível espalhar como forma de divulgação de nossos trabalhos. O primeiro número trouxe os textos em torno do tema “Teias”, e gerou comentários no Correio das Artes e uma certa polemica. Tudo bem. Foi bom, porque nos divulgou.

Mais gente chegava. Uma onda de jovens começou a invadir. Alexandre, o mais novo, 16 anos, Raonix, 21 anos, Laudelino, 22 anos, e um rapaz que de vez em quando aparece: Eduardo, 20 anos. Gente muito participativa e curiosa, querendo fazer, escrever, aprender. Raonix é excelente chargista, além de contista e pretende fazer as charges de todos os participantes. já fez a minha e a de Mariano, por sinal, muito boas.

Agora, há a perspectiva de publicaçao de antologias do Clube do Conto - "Histórias de sábado" -, caso o BNB aprove nosso projeto. E a FUNJOPE de João Pessoa só está esperando que lhe entreguemos a seleção de contos para lançar outra antologia do Clube. Tomara.

Assim tem sido a história de uma idéia nova – a concepção do Clube do Conto. Muito simples, esta idéia tem se mostrado charmosa, atraindo gente de várias faixas etárias que interagem, criam, desafiam, aceitam desafios. Sem hierarquia, sem exigências de diplomas nem currículos, sem academicismos ou doutorados, a coisa tende a se renovar.

Encerro aqui este meu trabalho. Mas a história não se esgotou. São muitas e muitas as nuances, muitas e muitas as facetas. Admito que exagerei no factual, mas essa era minha proposta.

Dôra Limeira

terça-feira, 4 de abril de 2006

Ata de Primeiro de Abril

Uma pequena ata é uma peça de memória onde se registram as atividades, brincadeiras, intrigas e broncas de um sábado de histórias. Ah, claro, existem os contos. Eles são respirados, tratados a pão-de-ló, ambicionados, domados ou não. E existem, por coincidência, os... contistas. Gente estranha, festa esquisita, como dizia uma letra. Tomemos um exemplo real. No sábado anterior, quem estava lá? João e Valéria, Barreto e Dora, Ronaldo e Marília, Mariano e Laudelino, Regina e Raoni e também o André. Para um desavisado ou desarvorado, pegar a turma no flagrante de uma infinidade caótica de contos aos pedaços, em parágrafos, a espera de ordem e progresso, sei não viu... É uma dinâmica que além de complexa, não deixa de ser divertida. Os contos estão no X da questão, afinados e coerentes. Um primor de coletividade. Rolou uma tabela de controle com contistas e parágrafos, através de etapas e rodízio. E a proposta deste blog, que vai bem, obrigado. Em paralelo, seguem os temas normais: contos com provérbios e para o próximo sábado, contos sobre mentira. Mas esta ata jura de pé junto que o referido é verdade...e dou fé.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Deu no Globo!




Todos os sábados, em meio a xícaras de cafés, cinzeiros, pedaços de bolos e folhas de papel espalhadas sobre a mesa, eles se reúnem no shopping, num cantinho onde muitas histórias são contadas e ouvidas.Ao entardecer, começa o encontro, com leitura em voz alta dos textos. Um tema é previamente proposto para o debate literário, mas, na hora, o improviso é o convidado. Assim, quem passa pelo local vê o Clube do Conto em plena atividade. O grupo resulta da “vontade de estar junto e de fazer literatura”, diz Maria Valéria Rezende, autora de “O vôo da guará vermelha”e integrante deste ritual que se realiza em João Pessoa desde 2004. Tudo começou pela internet. O poeta paraibano Antonio Mariano Lima formou uma corrente literária. Um convidado chamava outro, e logo a lista de discussão cresceu. Gente disposta a trocar e-mails, idéias e contos. A efervescência gerou a vontade de transformar aqueles papos em encontros reais.A gênese do clube demonstra o caráter descontraído do grupo e o empenho dos participantes. Os escritores já organizaram duas antologias de contistas paraibanos e publicaram quatro folhetos, as chamadas “Atas do clube do conto”. E fervem os projetos futuros, como lançamentos, cooperativa e oficinas populares. Mas não é preciso ser escritor para participar do grupo. Afinal, é um clube do conto, e não de contistas.— O clube não tem líder, nem mestre, nem estatuto ou regimento, nem pauta —diz Maria Valéria. (Cristina Zarur)