segunda-feira, 19 de maio de 2008

Cronofobia (à sombra dos cronômetros em flor)

A proximidade dos aniversários lhe causava suores frios. Com a imunidade baixa para opiniões alheias, era facilmente cooptado para programas infinitos. Descobriu tarde demais que o medo aos filmes de Hitchcock decorria menos do suspense do assassinato do que da duração da película. Na saída da faculdade, a sensação de que seria cardíaco mais cedo, caso seu pai não chegasse com o carro. O pavor ao tempo também lhe trouxe a impotência e o câncer de prostração.

Única felicidade nem foi em vida: o caixão baixou em exatos 7 segundos.


André Ricardo Aguiar

Agorafobia (ou há-de-vir-fobia)

Com todo universo infindo lá fora que não cabe na mente, em nenhuma religiosa inspiração, prefiro a vida, essa gaiola de ouro. Sob luzes cartesianas, com asas atrofiadas pela opressão do catre, no alvor dos dias, imagino. Prefiro ficar, mesmo sabendo que os portões que me prendem são de amarras podres. Mesmo sabendo que ninguém pode me impedir de voar. Prefiro ficar. Talvez não saiba voltar. Talvez não queira voltar. Na dúvida pelo que não vivi, fora dessa limitada vida, covarde escolho ficar.

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Betomenezes

Ata em dois atos

Primeiro ato: numa tarde chuvosa alguns integrantes do clube foram à biblioteca da praça da paz. Como um passeio da imaginação, fechei meu guarda-chuva e adentrei o recinto. De uma mesa, perto das brancas estantes, estava Dorinha. Aguardávamos uma conversa com Jadercy (se a grafia não me trai) e nesse ínterim, chegou Beto Menezes e bem depois, Antônio Mariano. Embora cientes de que não podíamos passar por cima de decisões sem as autorizações superiores do Sesi, encontramos ali muita disposição para os contadores de histórias – num primeiro momento, acharam que o clube era especialista em histórias infantis – e ainda com convites para apresentação no Tribunal Regional (ou equivalente jurídico que me escapa) pelo marido de Jadercy, que preside o dito – me corrijam se não for isto. Se a parceria vinga, ainda temos possibilidade de trocar o café pelo chá, e o claro-escuro pela brancura coalhada de coloridas janelas chamadas livros. E se preferível, com o celular de Dôrinha no mais absoluto silêncio e sem hora para levantar (lembra, Dôrinha?).

Segundo ato: o sábado recente foi uma reunião feliz, com contos à beira da fobia, com convidados e muita malícia subterrânea: os Andrés, Ronaldo, Valéria, Dôrinha, Beto, entre outros. Psicanalistas traiçoeiros, na verdade um, com cachaça programada, se esmerou em pôr mais uma pá de cal na credibilidade da raça dos poetas, com um conto para lá de imaginativo e que durou menos de meia hora. Ainda tivemos conto de inversão narcisista e contito de diminuição paragrafal, conto materno e pelo que me lembro, que o autor da ata nem sequer chegou ao final, acho que de contação foi só o que houve. Uma nova integrante deu as caras, Amanda K, que está para lançar seu livro de contos e participa ativamente do mundo blogueiro (http://amandak.zip.net). Tereza e Adriano tomaram seus assentos e seguimos o rumo de oratório e de leitura. Mariano chegou bem depois, com conto ou sem conto: não conto com a informação, até o fechamento desta redação. No mais, o tema próximo é chega de saudade. E para completar, chega de ata.

Fim dos atos.

sábado, 3 de maio de 2008

A complicação

um conto em seis parágrafos

Ontem, acordei desnorteado hoje, acho que tudo começou ontem a ontem quando um amigo disse pra mim que amanhã chegaria aqui hoje. Agora nem sei se o aqui é acolá, ou o acolá é lá. Pra mim, hoje foi dia 36, mas nenhum mês tem o dia 36 nem no calendário lá da cozinha, por sinal, marquei este dia em um espaço em branco na página de um mês aleatório.

Resolvi freqüentar um psicanalista, ele disse que o problema é que sou contraditório só porque falei que cumprimento as pessoas com despedidas e quando saio pela porta da frente dou de cara com o quintal. Ele deve estar certo, pois percebeu que nas primeiras consultas eu ficava calado, mas antes e depois, quando estava na sala de espera, falava pelos cotovelos. Ainda bem que ele possui um raciocínio rápido, minha consulta agora é no horário em que fico na sala de espera, esperando a consulta, e minha espera é durante a consulta. Eu e ele ficamos escorados na porta, para que um escute bem o outro.

O psicanalista me receitou bastante açúcar para adocicar a vida. O problema é que já não sei onde encontrar o açúcar, pois, durante uma época, escrevi açúcar no pote de sal e sal no pote de açúcar, não lembro se para enganar as formigas ou de quando queria provar um doce salgado. Quando pensei ter encontrado o açúcar, queimei a garganta, era pimenta, foi do tempo em que queria uma pimenta adocicada.

Joguei todos os meus potes de sal, açúcar e pimenta no lixo. Fui para o mercado comprar açúcar. Me perdi no meio do caminho, tornei-me um desaparecido. Sei que sou desaparecido, várias vezes encontrei cartazes com meu rosto estampado e letras garrafais dizendo DESAPARECIDO.

Não lembro se foi eu quem colou esses cartazes ou foi minha família, sempre quis saber como é a vida de um desaparecido. Dificilmente foi minha família, eles devem estar feliz com meu sumiço, principalmente os meus parentes mais velhos, pois dizem que cresci, mudei bastante e não sou mais o mesmo de outrora...

Talvez seja isso, eu não sou mais eu, mudei para outra pessoa. Sim, é isso, hoje é quinta-feira, pra cumprimentar se diz oi, despede-se falando tchau, o quintal é atrás, a rua é na frente... Tchau, psicanalista. Não sou desaparecido, eu me achei.

Laudelino Menezes

(Texto apresentado na reunião do Clube do Conto da Paraiba, sábado, dia 3/5/2008)

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Atah do Klube du Kontu (em miguxês moderno)

sabadu ultimu tivemus + 1 reuniaum manera du klube du kontu...... marianu...betu menezes...dora limera...valeria...brendan i barretu estiveram as voltas kom as historias du kaxorru doidu...... babanu i rosnanu...entre kedas...arranhoes i devorassoes...alem d 1 tendencia p aliterassaum literaria...soltamus u verbu i estaremus nus preparanu p + 1 exerciciu-tema...ke vem a se "refassa a obra" ou "dexah eu kontinuah disti pontu.................." (na verdadi...por falta d titulu apropriadu...explicu melhor: pegue 1 kontu...romanci...novela d 1 escritor ke gosta i dpois d kopiah u 1o paragrafu ou a 1a linha...escreva 1 nova historia...seja inedita ou danu 1 versaum soh sua da msm...... axaria otru rumu p alienista??!?! p odisseia??!?! u kixoti??!?! emma bovary??!?! riobaldu??!?! manda ve...... vale u reescritu...... inteh e xauz!