sábado, 10 de março de 2012

Gráfico e reunião


Ata referente ao dia 3 de março de 2012.

O gráfico da reunião foi assim:
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Em matéria de número de participantes. É isso, o eixo x diz respeito ao tempo, e o eixo y, ao número de participantes . Como eu só apareço próximo ao cume, cheguei atrasado, porque, nunca fiz uma ata do clube do conto, justifica-se o atraso nela? Minha barra de espaço tá foda, antifoda, meu tecladoquerqueasletrassaiamentremcheguemtodasjuntaspregadinhasassimtãosexualquantooprópriocontoquebetoliaempolgadamente. Lia, um pretérito imperfeito, não Lia, um segundo nome estranhamente feminino de beto, mas eu já conheci um Carol, inspirado no papa, nem aquela menina maravilhosa, Lia, que, não ela que não estava na reunião, mas que se estivesse teria sido melhor ainda, ou não, quem sabe?, quem sabe aquela energia, aquela presença-ralo dela não teria tirado todas as nossas forças,  as forças de, um bom momento pra inserir os presentes, que ambíguo, os presentes, as forças de!: João Adolfo, visita que eu levei, Mabel Dias, visita, Laudelino Menezes, de casa e irmão de Beto Menezes, como se pode constatar a olho nu, André Ricardo que não deveria constar aqui porque aquilo não são horas, não são, às 2h50 ou às 9h12 qualquer relógio sensato riria da cara dele por tamanho não ser horas, e ele ainda me diz que eu só vou de vez em quando, mas eu expliquei, expliquei que tou fodido com essa porra toda, que tá foda, Sérgio Janma, Norma Alves, que me lembra que eu fiz direito, Maria Romarta, todos pessoas da melhor índole, ou seja, velhas o suficientes nessas reuniões que fazem d'um shopping o que ele não é. 

Pois a reunião parecia fadada a não acontecer, parecia que não havia com quem se contar para contar algo, um conto, quando Beto apareceu com um excesso de conto, um contão, e aí isso também poderia render um bom gráfico, quantidade de conto ao longo do tempo, sairíamos do eixo x para um violento salto quase inteiramente vertical, ereto como os paus do conto, desculpa mas não vou apagar, rumo ao eixo y. Quando eu cheguei beto Lia empaugadamente seu contão, e até os erros de leitura estavam encaixando bem com aquela leitura sedenta e esfomeada e seca que avançava sobre as palavras devorando-as e engasgando-as e às vezes até cospindo-as e vomitando-as, foi bom. Vieram observações, no sentido de comentários, pra ficar claro, do tipo, isso não se anotou... Alguém disse que era a sina das atas, sua forma consagrada, o fluxo de consciência. Alguém disse que alguém disse. Mas não era a minha intenção. Deve ser porque, esse alguém, esse último alguém, um alguém superior, transcendente, esse espírito domina os ateiros, na minha terra ata é o que vocês chamam de pinha. Assim sem me lembrar, eu me sinto com as mão atadas, eu já pensava nesse trocadilho desde lá em cima. Hora de ser objetivo, 01h40 é a hora universal de ser objetivo, essa hora em que o relógio está com as pernas bem abertas em diagonal, parece uma dançarina extremamente flexível, uma ginasta, é a hora Dayane dos Santos. É essa a hora também em que, merda, essa geladeira começa a apitar, parece uma criança chorando, até que alguém aperte aquele botão, crianças são mais difíceis de serem caladas, ainda não inventaram um botão, graças ao bom pai. Respira. 

Aos três dias do mês de. 
Vai demorar muito, já é quinta.

Todos apreciaram o conto de Beto. Beto explicitou que se trata da sua leitura de Lolita. Comentou-se que, mesmo se tratando de uma longa narrativa, o texto é capaz de prender a atenção do leitor. Foi discutido ainda que as personagens devem refletir experiências reais do autor. Laudelino apontou que esse conto já havia sido lido; Beto expôs que sim, em uma versão simplificada.

Hum, acho que foi isso.

Em seguida (após um breve silêncio que dá ensejo para que o próximo contista, se não for tímido demais, possa se colocar), foi lido o conto de Thiago Arruda. Naquele dia, esses eram os dois únicos contos disponíveis (ficou claro que o outro conto era o de Beto? Não é possível...) O conto de Thiago Arruda, que era bem mais curto, em fluxo de consciência, gerou duas discussões: a primeira se referia à possibilidade de compreensão dos textos nesse formato; a segunda, ao porquê de o texto não estar justificado (Word etc.).

Deixa essa parte assim porque se tu for detalhar as discussões vai ficar grande demais. É, eu também acho. Reviso? Não, não, tá de boa. Era isso que eu queria ouvir. 

Adendo: o tema do próximo encontro é. 
(A assistente de palco puxa aos poucos o envelope. É possível ver um R, um E, um HLUM, quem consegue ler ao contrário?)

Mulher, e cada um subtematiza livremente.

Thiago Arruda

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Conto de Romarta


Conto de Maria Romarta.

* * *

SEPARADOS

A chuva brincava de sumir e aparecer, então, Luíde nem se dava ao trabalho de fechar o guarda-chuva. Lílian havia esquecido o dela, por isso se abrigava ali, junto do ex-marido. As malas rente aos pés dos dois também se valiam daquele abrigo.

Eles estavam a passar um final de semana na casa de campo que tinham. Tudo ia muito bem até que Luíde, do filho, se pôs a lembrar.

- Se ele tivesse sobrevivido ia gostar de brincar naquele campinho.

-Com essa chuva toda?

-Não. Nos dias de sol.

-Também gostaria que ele estivesse aqui.

-Mas bem que eu pedi a você, Lilian, não vá ao trabalho, você precisa de repouso, fique em casa! Mas você foi. E lá acabou tropeçando, caindo da escada... Se tivesse me ouvido...

Depois disso, simultaneamente cada um fez as malas, cada um tirou seu carro da garagem e saiu estrada a fora. Foi aí que se tornaram ex. Porém, não foram muito longe, a estrada tentou, até que conseguiu prender os carros ao chão.

Juntos de novo, mas separados e numa ideia conjunta, o casal caminhou até outra estrada que havia mais adiante e cada um ligou pedindo um táxi.

Sob o mesmo guarda chuva os dois mentiam calados, sozinhos. Após uma eternidade, um táxi apontou naquela estrada, ziguezagueando pela lama. Era o que Lílian havia chamado. O taxista, eterno de simpatia, disse qualquer coisa sobre quase não ter conseguido chegar até lá. Ela não deu muita importância, foi guardando as malas, enquanto, Luíde somente observava a chuva ir abraçando o rosto dela.

- Você vem?- O taxista perguntou ao ex.

- Não, estou esperando outro táxi.

Lílian entrou naquele carro pela porta da esquerda e acenou pelo vidro, como quem dizia milhões de coisas.

Nesse momento, Luíde percebeu que despedida tem gosto, não necessariamente bom.

Aquela despedida, aliás, tinha um gosto. Gosto de quando a gente fala o que não deve.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Ata da Feira Solidária - Parte II


ATA DE FEIRA (referente ao dia 11/2/2012)
André Ricardo Aguiar

O artesanato até que funciona, entalhe e madeira, palha que se trança, argila a moldar, costuras e bordados. É quase um bloco de carnaval: em vez de repique e surdo, vai silêncio e prosa. A evolução é sagrada, segue um ritmo de avenida nas alegorias do conto. Nota 10 para todos,

Foram lidos contos de Joana, Beto, Wander, André, Norma e Romarta. Em redor do artesanado, palavras foram costuradas e embaladas como itens turísticos de diversa lavra. Presenças de Valéria e família, Eli, Emilayne, Sérgio Janna e filha, Mariana, Valeska e o povo da feira.

O tema escolhido, Desde o outro carnaval, foi quase unânime. Estão previstos um folheto com os contos do tema Feira Solidária e um cordel com os participantes da feira.

O referido é verdade e dou fé.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Ata da Feira Solidária - Parte I


Ata referente ao dia 4 de fevereiro de 2012.

Os dois sorvetes derretiam na areia, o sabor de flocos com limão não era do aprecio de todos, tanto que Jennifer preferiu ir a Marte a ter de dar ouvidos aos contistas reunidos naquela tarde agradável de 04/02/2012. Quer saber? Azar o dela, ela deveria ter ficado como todos que estavam na Feira Solidária em Tambaú, a convite do amigo Lau Siqueira. Parecia que ia ser a feirinha da depressão, tipo, como assim só Wander trouxe conto? Entretanto, aos pouquinhos, foram saindo da toca outros textos, André Aguiar tirou até um velhinho embalsamado de dentro do seu notebook. Betomenezes não deixou por menos e comoveu Joana Belarmino com seus ape.. atrepe... Apetrechos! Até os sorvetes disseram em coral. Laudelino Menezes não trouxe conto, mas dedurou quem tinha e estava escondendo o ouro. Romarta Ferreira, estressada com tanta gente apontando, procurou se acalmar e entrar no embalo dos sorvetes mágicos. Gláucia, Alfredo, Dália, todos ouvindo, deparam-se com outra jóia, o poema de Norma Alves. Jennifer se foi ao fim, perdeu a tapioca, o café e a língua de sogra. Ah, e os apetrechos também. Nem viu, coitada, nosso mestre de cerimônia do dia, Lau, sugerir o tema para nossa segunda ida à feira na semana seguinte. Para homenagear aquele povo que tão bem nos recebeu, feira ficou como tema, aprovado por unanimidade. Que contos sairão dessa loucura toda? Os sorvetes vão derreter outra vez? E Jennifer, a bichinha, voltará ela para prestigiar tal evento? Isso é o que saberemos na parte dois das aventuras do Clube do Conto na Feira Solidária de Tambaú, na semana que vem. Aguardem.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Conto de Joedson Adriano


BOI PRO PALÁCIO


queriam dois jumentos ao cavalo igualar-se
começaram então a praticar em casa
a nobre equitação pra levar à praça
o coxear costumeiro que caçava disfarce


um quanto humilde e nem tanto muar
após muito treinar seus coices ao vento
percebeu que nem pra andar tinha talento
e ainda menos pro altivo cavalgar


entanto o outro mais vaidoso e marrento
além de sem dom nem aí pro treinamento
insistiu em ir contra a sua natureza


e sua vida mais que o comum foi dureza
em cada exposição as vaias e os urros
da sincera platéia a lhe chamar de burro