sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Vida longa a Comunidade do Conto

O escritor Sacolinha conheceu a temática do Clube do Conto através de Valéria Rezende e resolveu levar a ideia para cidade de Suzano, no estado de São Paulo, nasceu então a Comunidade do Conto, onde os participantes se reúnem uma vez por mês para ler contos e discutir literatura. O legal é o pré-requisito para participar, basta saber ler e escrever, ou seja, é aberto a todos. Assim como o Clube, lá não existe diretoria, muito menos hierarquia.

Para saber mais sobre a Comunidade do Conto clique aqui.


Laudelino Menezes

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

rádio ata

Ata da reunião do dia 05 de fevereiro de 2011.

O que seria um fim de tarde, tornou-se noite, e a lua nova nos acompanhou no jardim, sentados em bancos, sob a luz de antigos lampiões, cercados por borboletas, minhocas, formigas, cachorros e papagaios.

Quem não foi? Lucas, Laudelino, Beto, Denser, Regina B., Alfredo, Cartaxo, Dôra e muitos mais. Se Joana tivesse ido, o que iria dizer das comilanças!!

Dragões serviram xícaras de chá, bolos confeitados com cerejas e espetinhos de cavalo, ao som de antigas canções de rádio, canções em línguas tão diversas, que nada podíamos entender, apenas sentir. O aparelho de rádio era antigo, às vezes precisávamos sintonizá-lo novamente, porque teimava em passar para a ‘Hora do Brasil’. Por vezes, sua antena é que não funcionava bem, e até as pilhas foram trocadas.

Foi uma noite muito comportada, com reflexões sobre a vida, sem conversas paralelas, de modo que, vários contos foram lidos. Todos se esmeraram na aparência, trazendo suas unhas bem cuidadas e roupas de fino corte. Apenas um pequeno acidente: um dos dragões deixou cair as delicadas xícaras, que já não tinham utilidade pois o chá de bromélia havia acabado. Enfim, nenhum incêndio ou caso de afogamento digno de nota.

Regina Lopes Maciel

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Estante virtual: revista ponto #1

Para quem não conseguiu um exemplar, estamos disponibilizando eletronicamente a revista ponto #1, datada de agosto de 2009. Divirtam-se com os contos!

Existe a opção de imprimir a revista. Fiquem a vontade.



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sessão de Contos (7)

Aos poucos, a programação antiga do nosso blog vai retornando.

Diferente da Sessão da Tarde, um programa quase diário que exibe filmes na televisão, a Sessão de Contos é um "programa" quase semanal do nosso blog, trazendo para todos os internautas um dos contos lidos nas reuniões de sábado do Clube.

Nesta semana, exibiremos um conto de uma das integrantes mais recentes do Clube, Regina Lopes. Este conto foi lido na reunião do dia 15 de janeiro de 2011. Boa leitura!

* * *

Palavras de Amor

Regina Lopes

Nícia corria sem parar e sem saber por quê. Desde que saíra da festa, sentia um certo entorpecimento mental e agora movimentava-se rapidamente, deixando pegadas rasas na areia da praia. Como se um volante a direcionasse, foi levada a entrar em uma ruela onde os velhos da cidade distribuíam nacos de pão aos pombos.

Sentiu uma grande vontade de comer aqueles pedaços de pão e o fez compulsivamente, num ritmo que não era o seu, numa vontade que não era a sua. Ali, ouvindo o arrulho dos pombos, se lembrou do homem que acabara de conhecer na festa. Um homem que não parava de falar no seu ouvido. “Ele era estranho, não? Bastou apenas um cruzar de olhos para que me fisgasse. Eu fiquei paralisada, igual a um hipopótamo, afundado na lama até a altura dos olhos. Para ele eu só mostrei os olhos, mais nada. Nem a minha voz ele escutou. Dançamos. Ele me roubou um beijo e... não parava de falar.”

Mais adiante, no final da rua, encontrou um enorme ninho de pombos em volta do qual o povo se aglomerava. Lá dentro havia um homem que habilmente controlava os ventos e os fazia passar pelos buracos de um grande ralador de pão. Produzia sons inusitados e criava assim uma música envolvente. Esta música a foi entorpecendo e quando se encontrava em um estado quase hipnótico, o virtuoso homem profetizou: “aquele que hoje te beijou há de morrer por tua causa”. Dito isto, de cima do seu posto, abriu as asas e voou. Lá do alto, raspou flocos de nuvens na superfície cortante do ralador, derramando uma intensa neblina sobre a cidade.

Nícia ficou tão perturbada, que de todos se escondeu, apagando seus rastros na areia da praia. Aquele homem que a beijara havia mexido com ela; não sabia dizer como, não sabia o que sentia, mas não podia encontrá-lo de novo e permitir que a profecia se cumprisse.

Certo dia, cruzaram-se na rua e ele cobriu-a de beijos. Dizia estar com pressa em função do trabalho, mas ali mesmo, muito ansioso, marcou um novo encontro. No mesmo instante o ar ficou rarefeito e ela sentiu-se sufocar. Correu para casa, fez as malas e mudou-se para uma cidade do interior.

Desde então, na tentativa de amenizar a situação - certamente incompreensível para o pobre homem - passou a concentrar o pensamento nele e a enviar-lhe, mentalmente, lindas palavras de amor.

E assim os dias passaram e quando por fim sentiu-se aliviada e leve, ouviu a grande manchete do jornal: “Um homem fora encontrado morto em seu apartamento, soterrado por imensas palavras de amor”.

Obs.: Baseado em – Palavras de Amor – Nelson Coelho

domingo, 23 de janeiro de 2011

QUADRILHA... DE CONTISTAS

Ata referente ao dia 22 de janeiro de 2001.

Regina que lia sobre becos à beira da crase
e que lia Romarta que lia a menina que morava atrás da lua
e que leu Laudelino lendo o seu dinheiro ou sobre a dúvida
que leu André um tipo de terremoto
que ao ler sobre Norma fora da prosa toda prosa
foi lido o Raonix lendo sua piscina de fibra 750 Family
lendo o Brendan que não leu porque não quis.

Regina trouxe livros e levou outros,
André saiu para tomar café,
Laudelino cedeu o salão,
Raonix foi atender o celular,
Romarta chegou de mansinho
e Brendan quase não falou inglês
porque Norma estava caio não caio não caio
e o tema ficou desenho animado e que não tinha ainda entrado na história.