terça-feira, 14 de julho de 2009

Coelhos e cartolas

Clube do conto. Guarde este nome. E se inventar de ir ao restaurante Coelhos em algum sábado no período do fim de tarde, perceba: pequenas infâmias, pecados, guerras particulares, casos e descasos, fábulas e anedotas, nada escapa à região magnética dos contistas e fofoqueiros ali presentes.

Para este sábado que passou mais uma reunião provou-se pródiga. Com a presença de Alfredo garantimos mais uma vez a possibilidade de publicarmos nossa revista. Foram doados valores para a manutenção da mesma. Mais uma vez, Bonifácio e sua namorada Vivi marcaram presença. Valéria e sua irmã, também Vivi, além de uma amiga, Yolanda, tomaram assento. Mais uma vez, Valéria cuidou de falar o conto, de memória azeitada. Se essa moda pega, a economia de papel será um fato. Cartaxo também marcou presença. Duas novas vozes mostraram seu estilo: Têre Tavares, de Cascavel (PR) e Ricardo Fabião, que da área musical (fez parte do Limusine 58) pousou na literatura e mostrou o mesmo talento. Dôrinha trouxe mais um conto (suponho que requentado) assim como eu. Ainda mais: tivemos um sorteio de um livro da Têre que foi parar nas mãos de Vivi, Valéria’s sister. Versamos sobre temas como Perversão e Clichê. Que por sinal, rondou um tema recorrente: casamento.

Agora, é esperar que o próximo tema realmente fique bem atado: corda. Assim como esta ata.
Quem quiser que conte mais.

André Ricardo Aguiar

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Participe das reuniões

As reuniões do Clube do Conto acontecem no Bar & Restaurante Coelho´s, na cidade de João Pessoa-PB (no bairro dos Bancários - próximo ao Carrefour e ao posto Texaco), todos os sábados, a partir das 16h.


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domingo, 5 de julho de 2009

Ata de 4 de julho de 2009.

Ontem, 4 de julho, dia da independência do país de Obama, muitas coisas aconteceram no Coelho´s. A primeira coisa que se há de registrar foi o reingresso triunfal de Joana Belarmino e seu bom humor de sempre. Adentrou o recinto acompanhada de nossa discreta cúmplice Gláucia Lima, cantora que, quando solta a voz com uma beleza na alma, emociona. Eu mesma já tive oportunidade de me emocionar várias vezes com o som glauciano dizendo acorde, acorde, estou aqui pra cantar. Há que se registrar também as presenças de Vivi e Bonifácio que, ultimamente, vêm retomando o gosto de nos freqüentar, para nossa alegria. André Ricardo chegou tarde, já noite plena, atrasado por estar sempre, nos horários de reunião, embevecido trocando e comprando filmes em dvd na calçada do Shopping Sul, coisa perfeitamente perdoável nesses tempos de pirataria geral. Alfredo Quadros também esteve na reunião, constantemente empolgado com a Ponto, revista do Clube do Conto, cujo novo formato foi concebido pelo próprio Alfredo. Cartaxo e Laudelino passaram meteoricamente pelo Coelho´s, somente para matar saudades. Tinham compromissos outros.

Neste segundo parágrafo, registra-se um fato inédito acontecido na última reunião do Clube do Conto: não houve contos. Pelo visto, temas como maconha, revista e outros temas sérios, decididamente, não empolgaram. Ao invés de contos, tivemos algumas leves discussões sobre filmes, romances, falamos sobre personagens que passaram pelo Clube do Conto, alguns deixando marcas, outros saindo marcados. Como sempre, Barreto foi lembrado enquanto personagem que deixou marcas profundas. Figuras inesquecíveis foram citadas com acentos de saudades, por suas prolongadas, inexplicáveis e misteriosas ausências. São os casos de Cláudio Rodrigues, Pepita Cavalcanti e Ramon Limeira, meu primo em terceiro grau. Tragado pelo Correio das Artes, Antônio Mariano é outra figura que, quando falta, faz falta. Outros e outras foram lembradas na reunião de ontem, mas o espaço deste parágrafo não comporta tanta gente.

Passando agora ao terceiro item desta ata (aliás, eu não sabia que existiam parágrafos em atas), passo a relatar que: dando prosseguimento à velha campanha “Esqueça um Livro”, eu, Dôra Limeira, levei dois livros para o Coelho´s com a finalidade de esquecê-los por lá. Já estava cansada de deixar livros em bancos de praça, em agências bancárias, em aeroportos, em mesas de restaurantes e ter que aturar as pessoas correndo atrás de mim para me devolver e me dizer desculpe, senhora, a senhora esqueceu este livro. Diante do exposto, decidi que o único lugar onde provavelmente as pessoas não devolveriam os livros encontrados seria o sanitário. Enquanto se “aliviassem” ou “obrassem”, é possível que as pessoas folheassem o livro e quem sabe levassem para casa. A idéia dessa campanha, logo batizada por André Ricardo de “Literatura na Privada”, teve ampla aceitação e imediatamente foi posta em prática. Com dedicatória “a você, que encontrou este livro, etc...” de imediato seguiram para os sanitários feminino e masculino do Coelho´s dois livros de bom gosto: um livro de contos e uma obra de crítica literária. Na dedicatória, foi solicitado aos que acharem os livros que escrevam para meu e-mail dizendo se gostaram ou repudiaram. A amiga Vivi logo se dirigiu ao sanitário feminino com o livro de contos e Bonifácio levou o de crítica literária ao sanitário masculino. E seja o que Deus quiser. Minha sugestão é que a campanha se estenda a diversos pontos da cidade, seja em shoppings, cinemas, supermercados, teatros e até em espetáculos de ruas (nos chamados sanitários químicos). Pede-se a quem aderir à campanha “Literatura na Privada”, que deixem seus livros com dedicatórias e seus e-mails para que as pessoas possam mandar uma opinião. Será interessante que, no oferecimento, faça-se referência ao Clube do Conto como forma de nos divulgar. Agora, uma pergunta: o que vocês acharam da campanha?

Quanto ao tema para essa semana, foi sugerido e acatado “Clichê”. Por falar nisso, relendo esta ata do começo ao fim, verifico que não usei clichê algum. No mais, “sem novidades no front”.

Tenho dito, mas quem quiser dar o dito pelo não dito, que fique à vontade.

Abraço.

Dôra Limeira

(a ilustração da ata foi tirada de www.incerteza.org)

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As reuniões do Clube do Conto acontecem no Bar & Restaurante Coelho´s (no bairro dos Bancários - próximo ao Carrefour e ao posto Texaco), todos os sábados, a partir das 16h.


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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ata do dia 27 de junho

Cheguei por volta das 16:30 e ainda nem sinal de vivente ou retirante. Depois de escolher mesinha, fiquei de tocaia. A primeira que chegou, a falar que estava com saudades de ouvir contos, foi Gláucia. Conversamos sobre os projetos em andamento, pedimos cerveja e comentamos que ali estava um deserto de histórias, quando, do nada, surgem Bonifácio e Vivi. Com mais um tempinho, André Dias, e com conto sem título. Começamos a ler, eu e meu xará. Depois de quase tudo terminado, por último, vem Cartaxo. A conversa se estende para outras vias, inclusive teatro, quando já é noite escura e ainda tem gente nova com medo de bicho-papão. Com os temas ainda válidos, maconha, revista...seguimos viagem. Esta é a ata instantânea com o oferecimento dos Sabãos Suvakeira. (Não passe vergonha, passe sabão suvakeira).

André

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As reuniões do Clube do Conto acontecem no Bar & Restaurante Coelho´s (no bairro dos Bancários - próximo ao Carrefour e ao posto Texaco), todos os sábados, a partir das 16h.


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sábado, 6 de junho de 2009

Autores da Semana (4)

Semanalmente, ou quinzenalmente, ou, no máximo, mensalmente, publicaremos contos dos participantes do Clube do Conto. Nesta edição número quatro: Ronaldo Monte.

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RONALDO MONTE

Nasceu em 1947, em Maceió, Alagoas. Com onze anos de idade foi aprender a viver no Recife. Mora em João Pessoa desde 1978, o que o faz paraibano por opção e tempo de serviço. Além de poeta e escritor, é psicanalista e professor, com Doutorado em Teoria Psicanalítica pela UFRJ. É autor de crônicas e ensaios publicados em jornais de João Pessoa. e mantém um blog (blog-do-rona.blogspot.com).

Publicou:
- Pelo canto dos olhos (poemas), 1983.
- Memória Curta (Contos e crônicas), Editora Universitária – UFPB, 1996.
- Tecelagem noturna, (Poemas), Editora Universitária – UFPB, 2000.
- Pequeno caos (Crônicas), Editora Manufatura, 2003.
- Memória do fogo, (Romance), Editora Objetiva, 2006.
- O lugar da cura – Construção da situação psicanalítica, Editora Universitária – UFPB, 2007.

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OFÍCIO

Quando o marido morreu, ela não sabia o que fazer. Pois depois que casou, ele nunca deixou que ela fizesse nada. Não podia sair, nem pra ver a família. Não podia conversar com ninguém. Até com a empregada velha que cuidava da casa ela não podia falar. Se ele pegasse, ela ia pro quarto de porta trancada a chave. Tudo que ela precisava, ele trazia da rua. Roupa, sapato, remédio. Só servia para a cama. Isso ele dizia que ela fazia bem. Mas só dizia perto do fim, enquanto gozava. Depois não tocava no assunto. Por isso, quando ele morreu e ela procurou uma coisa para ganhar a vida, foi só isso que lhe passou pela cabeça.

Daí que pegou uma tampa de caixa de sapato, tirou as bordas, fez dois furos por onde passou um cordão e pendurou na porta da casa. Lia-se em letras redondas escritas com esmalte: fode-se.

O primeiro a passar foi o padeiro. Quando leu o anúncio, empurrou a porta que não estava no trinco. Foi até a cozinha, onde ela esperava. Botou o pacote de pão ma mesa, pegou na mão dela e a conduziu para a cama. Gozou uma vez, gozou duas e três. Levantou-se arfando, vestiu-se às pressas, saiu e trancou a porta, levando a chave no bolso.

domingo, 17 de maio de 2009

Ata Extraordinária do Clube do Conto

Com todo o aparato que às vezes um clube pode reunir, seja do conto, dos amantes da filatelia ou da associação dos fãs de pega-varetas, esta reunião do recente sábado fica para a história. Sendo o lugar restrito em espaço, os integrantes que apareceram e os convidados – uns programados, outros ocasionais – fizeram com que cada carteira ficasse disputadíssima. Vamos aos fatos.

Por volta das 16 horas, representantes da UBE (União Brasileira dos Escritores), entidade dirigida pela figura do excelentíssimo Francisco de Oliveira, se acomodaram o melhor possível, tendo por guia o contista Ronaldo, que por coincidência, também foi o motivo da chegada, 10 minutos depois, de integrantes do Coletivo de Leitura de Cabedelo. Também fomos apresentados a Vidomar, amigo de Ronaldo e contista de Florianópolis, além de acompanhante do nosso blogue. Barreto veio com a amiga Valdete Ferreira, escritora natalense e autora de Memórias de Bárbara Cabarrus, romance publicado recentemente.

A dita sessão, ainda no tema recorrente e retardatário do Ventilador, e com um número de participantes considerado para lá de satisfatório (contei perto de 20 almas), teve um momento de acalorado debate na leitura do conto de Ronaldo Monte “Brisa e Rajada” cujo conteúdo erótico (e fofo) levantou considerações sobre a dicotomia dialética entre revelação e ocultamento, tema quiçá caro para os psicanalistas.

O escritor recifense Silas Barbosa trouxe livros para sorteio. Ganhei dele o seu divertido “Um dia de cupim”. Meu conto requentado “K” abusou de um efeito estilístico pouco respeitado ainda, mas que ouso dizer que poderá ter reforço de redundância claramente funcional: “Suores noturnos da noite”. Agraciados com a organização e o clima de instigante criatividade do clube, os membros da UBE aventaram a possibilidade de uma futura publicação do Clube do Conto, a ser lançada tanto na ilustre sede em Recife quanto nas plagas culturais de João Pessoa. E o tema, sugeridos pela presença de tantos naquela tarde satisfatória, não poderia ser outro: platéia.

Tenho dito.

André

Ata referente ao dia 16 de maio de 2009.

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Participe das reuniões

As reuniões do Clube do Conto acontecem na Escola Aruanda, aos sábados, a partir das 16h. Veja mais detalhes do local clicando aqui.

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