Semanalmente, ou quinzenalmente, ou, no máximo, trimensalmente, publicaremos contos dos participantes do Clube do Conto. Nesta edição número sete: Laudelino Menezes.
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Laudelino Menezes é natural de Recife e começou a morar na cidade de João Pessoa em 1995, desde então fica viajando entre estas duas capitais. Passou a escrever contos depois que frequentou uma oficina literária do Fenart, em 2005, local onde teve contato com integrantes do Clube do Conto da Paraíba. Bastou este primeiro contato para se tornar um frequentador assiduo das reuniões do Clube.
Até o momento, Laudelino tem poucos contos publicados, alguns aqui no Blog, outros nas
Atas do Clube do Conto (mais especificamente nas edições
#4 e
#5), um na
antologia do Clube e outro na
revista ponto #1.
Além de escrever alguns contos, Laudelino estuda e ensina matemática e tem a honra de ser o "blogueiro oficial" do Clube.
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EM BRANCO
Ficou surpreso, não conseguia escrever nada e assim fez, nada escreveu. Foi uma produção longa, mais de 1698 laudas de puro branco, uma verdadeira história épica, o autor destemido estava orgulhoso. Apresentou os manuscritos e surpreendeu a todos os editores, até os que não conheciam a obra queriam publicá-la a todo custo. Optou pelo editor que lhe ofereceu n regalias, n maior do que 1.
Para promover o seu tão esperado livro, preparou um longo discurso, interpretou, decorou e dramatizou cada palavra e cada gesto, iria encantar a todos da platéia. Chegou o tão esperado dia, nunca havia visto público tão grande em toda sua vida. O apresentador o anunciou, subiu no palco e recebeu a salva de palmas. Preparou-se, tossiu um pouco e principiou o seu longo silêncio, não proferiu uma palavra durante horas e horas, ficou imóvel, suando frio. Todos o olhavam com olhos de lince, atenciosos ao silêncio. Disse um Boa noite inaudível e a platéia o aplaudiu, todos estavam felizes por terem escutado um discurso tão belo.
Já nas livrarias o livro vendeu aos milhares e várias e várias pessoas lotavam o dia, à tarde e a noite de autógrafos. O empurra-empurra era tão grande que o autor não conseguia assinar livro algum. Por outro lado, os fãs ficavam contentes em ter aquela assinatura em branco.
Um belo dia, uma ex-namorada sua, que não via há muito tempo, bateu em sua porta. Ela estava fula da vida, não entendia como o autor pudera escrever tanto da intimidade vivida por eles no livro. Foi difícil, mas conseguiu convencê-la de que não havia tanto do antigo relacionamento deles escrito nas páginas em branco do romance.
Depois de todo esse burburinho, encontro de ex-amores, autógrafos e lançamentos, o livro continua sendo procurado, porém o que é mais esperado é o segundo livro do audacioso escritor. Vagando por sua modesta casa, encontramo-lo debruçado sobre sua escrivaninha, aguardando as idéias surgirem, por enquanto, só existe uma pilha de papéis em branco.