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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ata finada

Ata referente ao dia 2 de novembro de 2013.


Sábado dos mortos (02.11.203), estávamos, os vivos do Clube, reunidos na Toka. Os tais eram Val, as duas Suênias, Norma, Beto, Regina, Luciana, Sandro e sua companheira de namoro e revisão de seus textos, da qual o nome ficará omisso nesta ata por não o terem escrito em papel. O tema demônios não assustou nem aos mortos no seu dia. Leu-nos um conto medieval, Val, em fonte tamanho 24 do seu tablete. Beto demorou, mas baixou na roda os demônios em dois textos, extraídos do seu novo romance em produção. Sandro, curto e grosso, exorcizou o seu demônio na forma da matemática (má temática, hehehehe). Eu, que entre Anjos e Demônios, escolho o forró de Gonzagão, fugi do tema, indo pra um mais safadinho ao narrar uma suruba de dois.

Tiveram mais contos? Não dá pra lembrar. Meu corpo até que o álcool tem conservado, mas com a memória tem sido cruel. Sábado é dia de eu ir ao encontro da minha experiência etílica. E hoje, segunda-feira, passado tanto tampo de sábado, em férias e com minha filha pequena aqui pra eu lhe dar atenção, não consigo puxar mais da minha tão exigida cabeça pra detalhar esta ata.

Vale salientar que, além do registro em fotos do momento pastel do nosso Clube, estava desfraldado na entrada o banners (ou seria estandarte?) do Clube do Conto.

E quem quiser dizer o que aqui não foi dito, fique a vontade pra completar.

PS: Só esqueci de informar na ata que o tema (sugerido por um acaso) mais votado para a próxima reunião é "pitaco".

Sérgio Janma

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Antes de Esquecer

Ata referente ao dia 3 de novembro de 2012.


Ah, tava calor? Tava. Calor-rola-rola-calor... Lorca foi? Nem seu avatar tava. Rá! Sem ventania no litoral, o calor que abundava dava dó. André parecia de outro mundo mais infernal que este bebendo um suposto café quente sem ligar para o calor e muito menos em aparecer entre nós escribas pra começar a reunião sabática. Laudelino não levou nem conto nem lauda e só queria sortear-se como ganhador do tal livro preso pelo O Fio da Palavra. Usou de vis tramoias de lograr êxito neste jogo de azar, onde só ganha a casa. Registro esses atos, pois eu era quem queria me livrar do tal livro. E todas as rezas de informes introdutórios não faziam André Pilintra subir. Já há muito tempo acomodado, li meu conto temático revisto e requentado rechamado de Solidão Acomodada, título adequado ao tema Cômodo da Casa (ou algo parecido). Regina Behar antipatizou. Não gostou do título e de nada. De nada adiantou eu ter advogado em favor do tal e voltou-se, então, tal e qual ao original Tela da Solidão. Como tinha só mais um conto a ser lido, traçamos antes considerações em torno da Srª Morte. Antes dela e após ela, concluiu-se que a Vida não pode ser vivida se não vier a Morte ou coisa parecida. Suênia chegou uma semana de atraso com seu miniconto Vinte e três minutos. Nele ela nos conta sobre uma das maiores questões femininas em divergentes posturas de duas personagens. Seja ela, uma mulher-acadêmica (leia-se malhada em academia de formar músculos) versus mulher-normal. Trama: dilema ético-estético das mulheres: tomar ou não sorvetes. Contos lidos e idos, enquanto seguro por um café André não subia, chegando-se a nós apenas para o concursado sorteio cantado em nomes afinados pela tinta da caneta de Romarta que não escreveu conto, mas escreveu os nomes nos papeizinhos pelas mãos de Laudelino. Presentes na disputa do presente estavam Manuela, André, Suênia, Romarta, Regina Behar, Laudelino, Adriano e Larissa. E no ínterim de escrever nomes e rasgar papeis, votou-se o tema do próximo sábado. Por Suênia ter esquecido que a semana já havia passado, por André ter se esquecido de sair de casa com o dinheiro pra pagar a impressão de seu conto, por esse calor da moléstia queimar nossos miolos... Há, lembrei! Roberto Denser também não se lembrou de sair mais cedo de casa e chegou ao término da reunião. Mas como ele trouxe-nos uma rosa em conto, reabriu-se a reunião já atada pra que ele lesse em um só fôlego a sua A Rosa Adoecida – Parte 3. Adoecida e suicida a tal Rosa só não morreu por causa de uma dedicatória do Van Gogh. E minha dedicatória escrita foi pra Manuela, por ter vencido o sorteio do livro, apesar dos empecilhos de um José. Antes que esqueça, o tema eleito para o próximo sábado é Esquecimento... eu já não tinha dito isso antes?!

Sérgio Janma

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ata Unificada


Ata referente as reuniões dos dias 17, 24 e 31 de março de 2012.

Três reuniões do Clube sem ata. A resistência dos membros em fazê-la tem apenas um único motivo: livros lançados e a serem lançados. Então, Romarta decretou: Sérgio faça a ata! Disse-lhe que não. Também não tenho tempo. Escrevo no momento uma peça e etc, etc... Mas houve mensagens dela pra meu cel. “Ei Sérgio, cadê a ata?” Como hoje é sexta-feira da paixão, este milagre tinha que acontecer. (A propósito, qual dos apóstolos fazia a ata das reuniões deles com Jesus?) Traduzi o irrecusável decreto pra versão pedido... (como ser resistente a qualquer pedido, vindo com um belo sorriso hipnótico e de um olhar verde de quem vive admiravelmente seus verdes anos?!) e aqui estou, começando por tentar lembrar os presentes, bem como de quem levou conto.

Regressando ao recente passado, lembro que no sábado dia 17 do mês de março passado, estavam Cartaxo, Laudelino, Wander, eu e mais os que vão ter que me perdoar por não lembrá-los. Só eu levei conto, cujo tema era “cheiro”. 

Sábado, 24/03, celebrou-se o lançamento do livro “Rapunzel e outros poemas da infância”, de Jairo Cézar, na Livraria Leitura. Por esse justo motivo não houve a reunião. Estávamos dispensados pra comparecer e prestigiar o poeta. Quem compareceu? Lembro-me de eu ter ido. Por lá estavam Jairo Cézar, o tempo todo sentado com cara de dor na mão que empunhava a caneta, além de Norma, Romarta, Lau Siqueira e... fora os ausentes que não compareceram, outros do clube não foram porque estavam enchendo a cara em Boqueirão. Que inveja!

Último sábado, 31 de março, dia no qual quem compareceu comentou o Golpe. O Clube do Conto está sendo duramente golpeado pelas insistentes ausências. Temos que nos armarmos pra resistência! Presentes estavam Carlos Cartaxo, Norma, Thiago, Laudelino, eu e Luciana que não ficou pra reunião, só deu as caras pra dizer que ainda nos tá devendo o conto sobre “sapatão”. Na espera por vir mais gente, teve os informes de Cartaxo sobre o projeto do livro do Clube no FMC. No segundo informe de Cartaxo ele implora textualmente: 

“Pessoal: Lembro que no dia 21 de abril, sábado, pouco mais de uma dezena de jovens escritores de Nova Palmeira virão participar de uma reunião do Clube do Conto da Paraíba. Sugiro que o tema do dia 21 seja algo como Palmeira para fazermos uma recepção surpresa para os visitantes. É bom nos programarmos antecipadamente para termos um bom público nesse dia. Lembro que ficamos de realizar uma oficina para eles das 15 às 17 horas lá no Núcleo de Teatro Universitário. O tema da oficina somos nós que definimos. Wander se prontificou pra ministrar algo. Alguém mais se propõe?”

Depois de exposto este desafio, veio o melhor momento: Piadas. ÉÉÉ... agora na reunião dos contistas tem-se a seção Piadas. Os contistas mais espirituosos... atrevidos mesmo, podem contar piadas. Regra única: Será permitido apenas gargalhadas, risos e sorrisos, nada de críticas, tais como “não teve graça”, “desista, você não sabe contar piada” e coisas do gênero. A única manifestação aceita é de achar graça. Então, vieram as piadas contadas por Norma e por, teatralmente, Cartaxo. Só os dois foram corajosos em enfrentar o risco da situação iminente de não haver risos. Contos só tiveram dois. Ninguém sabia do tema, se é que havia. Norma, com o conto A Queda, interpretada pela voz marcante de Cartaxo, expõe o fatal destino dos seres no Reino Vegetal. Thiago apresentou-nos um texto cursando pelo frenético verbo metafórico. Entenderam? Texto que divaga em torno de uma faca sobre a mesa, cujo título explica tudo: Almir. Laudelino, quando está diante de textos complexos e surreais (viajadões mesmo), disse o que sempre diz: “Gostei, mas preciso ler de novo, com calma, pra dar minha opinião”.

Então tá. Findo, por fim, esta longa ata pensando estar pondo em dia nossas atividades.

PS: Terceiro sábado que não há açaí. Viu Romarta!

Sérgio Janma, cansado e sem nenhuma inspiração.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Conto de Sérgio Janma


Mais uma estreia no blog do Clube, conto inédito de Sérgio Janma.

* * *


ISCA DE PEIXE E ESPINHAS

E que Shiva dance para ele a dança criadora de um novo mundo, podendo nele viver refeito.

A noite começou para Dartagnan com seu torpedo para sua ex-mulher e sempre amiga: - Tô angustiado. - Ponto. Só isso. E nenhum torpedo em resposta. Sem os remédios que o fazem dormir, sua angústia crônica levou-o então para as ruas. Caminhou-e-caminhou. Chegou a uma pizzaria onde talvez encontrasse seu melhor amigo. Não estava lá. Lá ficou. A música era boa. Anos 80. Saudosismo de cinqüentões. Na pizzaria não quis pizza. Pediu isca de peixe só para recordar e homenagear um tempo bom de Olinda que acabou mal. Também pediu uma cerveja e vieram logo três em um balde com muito gelo. O garçom adivinhou o quanto o seu organismo agüenta beber, ou serviu mais de uma para lhe poupar o trabalho de ser chamado tão cedo? Dartagnan achou que não terá que pagar as que não beber.Desliga o celular. É uma maneira de tirar férias do mundo, já que não consegue tirar férias de si mesmo.Depois das cervejas vem a isca. Após lambuzar a primeira fritura em um molho rosa, Dartagnan abocanha-a por inteira. - Coff! Coff! Coff... - Epa! Uma espinha atravessou sua garganta! - Já não se fazem isca de peixe como antigamente -, resmunga. - Antes era só com filé. Essa que serviram nem desossaram, pondera em silêncio, resignado. Poderia até ser uma metáfora: quando se isca o passado,ele vem inteiro: carne e ossos. Difícil de engolir como essa isca; ambos engasgam. A boa música mantém Dartagnan ali. Repara o ambiente. Na mesa em frente, o gordo casal balança os ombros ao ritmo da balada romântica. Os que estão à sua direita falam em inglês... acha, ou em alemão, sabe-se lá, com a música alta não dá mesmo para ouvir direito. A mesa a sua esquerda o deixa em dúvida. Das duas, uma: como gesticulam muito, ou eles falam por Libras, ou são italianos.Sente vontade de ir ao banheiro na metade da terceira cerveja. Onde é que fica? Na sua procura pelo alívio imediato não cruza com nenhum garçom para perguntar. Decide se deixar guiar pelo cheiro peculiar. Para sua felicidade, acha a gaiola dos desesperados com facilidade. Dartagnan percebe que o programa para o resto da sua noite seria aquele. Bom para no máximo uma hora. Pede a conta. Volta de táxi.Em casa, pensa no amanhã e no que ontem disse sua atual ex-mulher. Essa mulher, por ser amiga, ainda está presente no seu presente. Diferentemente da sua primeira ex-mulher que está em um passado que ela teima em querer fazê-lo presente. Sua amiga-e-mais-recente-ex-mulher disse que amanhã talvez fosse vê-lo. Talvez... talvez ele use sua isca e a puxe para dentro fechando a porta, aperte a bunda rija da moça ao encontro do seu rijo pau em riste. Ou feche a porta, deixando-a do lado de fora, depois de dizer – com licença, não me leve a mal,  fica aí no meu passado, fora da minha casa, fora de mim. Talvez Dartagnan precise ficar só. Sem querer o mundo que acabou e que, por isso, não pode ser mais seu.Tenha talvez que parar de lançar suas iscas ao passado na intenção de pescar as sobras do que era gostoso pelo seu frescor. Porque o peixe do passado apodreceu. Trazê-lo, pela simples lembrança do prazer que ofereceu, o sufocará com as únicas coisas que sobraram: suas espinhas.