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quinta-feira, 10 de abril de 2014

dançATA

Ata referente ao dia 5 de abril de 2014.


Resolvi tirar O Clube do Conto pra dançar. Saí procurando os contos. Eu tinha levado um morto, que mal ficava em pé. E que também não queria deixar seu belo anjo sozinho. Olhei para a menina de Joedson - que a mulher dele não saiba!-; a menina só gostava de mordida de morcego e só dançava na cama. Sandro levou um conto pela metade que, envergonhado, escondeu-se na mochila. As duas Suênias... Uma foi procurar inspiração lá no Cineport; a outra no açaí. Lembrei-me de Regina, mas esta tinha ido ao Sabadinho e só levou os calos. Ah! Ainda tinha Sérgio que aos goles no seu caldo de cana, só dançava com a língua. Quando ia voltando pra casa, apareceu aquele conto escondido, suando em bicas, todo molhado – de suor é claro! – e me perguntou: “ Aceita uma contradança”?

Norma Alves

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Norma Alves - Sessão de Contos (13)

A Sessão de Contos é um "programa" do nosso blog que exibe para todos os internautas um dos contos lidos nas reuniões de sábado do Clube.

Nesta semana, exibiremos um conto inédito 
de Norma Alves. Boa leitura!

* * *

VAMPIRO  EM  CRISE

Que desespero! Sair do túmulo gemendo, procurando sangue e nada. 

Cadê os dentes? Será que existe dentadura pra  vampiro? Como ser respeitado sendo banguelo! O jeito é incomodar com uivos, assim todos ficariam acordados . É isso aí. Antes do sangue dos defuntos virar goiabada, o povo começou a drená-lo.  Eram tantas mamadeiras nas madrugadas! Mas a coisa começou a ficar feia. Não estava  dando pra matar a  sede. Notei os olhares dos vivos, preocupados.  As mulheres menstruadas corriam como o diabo da cruz; os homens em crise de hemorroidas sentavam-se, na tentativa de enganar o olfato.

Ei, você aí! Tá rindo de quê?   Tá pensando que é mentira minha? Tomara que você caia de uma janela de dois metros de altura e ainda morra em pé!  Vampiro brasileiro, banguelo sem plano de saúde e de morte. Blah!

Conto inspirado no personagem Bento Carneiro de Chico Anysio.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Norma Alves (Cartum + Conto)

NORMA ALVES nasceu em Recife-PE, em 1950, filha de comerciantes, Alzira de Oliveira Ferreira e João Venceslau Ferreira. No ano de 2009, falece sua mãe, foi quando Norma interessou-se pela Literatura. Hoje faz parte do Clube do Conto da Paraíba. Ela é psicóloga e contista. Trabalhou muitos anos no Liceu Paraibano e atualmente na coordenação do Instituto Rio Branco, uma escola de 40 Anos de tradição. Sim, ela nasceu num dia de festa e vive até hoje em festa!

* * *

LAÇO   DE   FITA

Ela era uma cachorrinha linda! Era branquinha, e usava na coleira um laço de fita. Nós a chamávamos de Peluda, porque tinha tanto pelo, que só dava pra ver os olhos. Quando corria parecia uma bola de neve! Era uma verdadeira dama de raça pura. Todos os domingos ,ela ia visitar o nosso cachorro Bob. Ele, um tremendo vira-lata! O encontro dos dois emocionava a todos da casa.

Certa vez, a faxineira disse: “Parece que ela é casada e pula a cerca com Bob”. Será isso possível? Até cachorro é corneado?! Meu filho indignado respondeu: “Não, não é! Peluda é direita! E ouve-se um AU AU   de Bob, como se concordasse. 

Era uma situação incrível a relação dos dois. Viviam em eterna lua de mel. Assim que ela chegava, ele a queria ali mesmo; mas ela, sempre muito refinada, não deixava que ele se aproximasse demais; tinha que ser entre as quatro paredes do quarto, ou melhor, do canil. De fora, ouviam-se apenas os gemidos e latidos em todos os tons. E na hora da comida, ela pegava o prato e o arrastava com o focinho para o ninho de amor. Que romântico!

Num certo domingo, o encontro foi quebrado. Peluda faltou. Foi aquele desespero de Bob. Ficou ali deitado naquele chão, cuspido e lambido, esperando a amada. E uivava tanto de saudade, que resolvi apelar pra cachorra da vizinha. Que nada! Ele era muito fiel. Fiquei até com inveja. Queria um marido assim!

O tempo foi passando... Meses... E nada de ela voltar. Será que estava doente? Será que morrera? Ninguém sabia de nada. O jeito foi levar Bob ao veterinário. O diagnóstico foi: Depressão canina. E agora?! Lá íamos nós pagar terapia pra cachorro!

Quando tudo parecia perdido, os olhos de Bob brilharam de alegria. Ela voltou, mas estava bem diferente: tosquiada. Achamos que ela estivera o tempo todo em algum Pet Shop. A classe era a mesma, o mesmo laço de fita. Mas... Meu Deus! Demos-lhe o nome errado! O certo seria ... Peludo!