domingo, 29 de julho de 2012

Avestruz e uma ata

Ata referente ao dia 28 de julho de 2012.


Não queria revelar aos integrantes do clube que os meus motivos para indicar o avestruz como tema são obscuros. Eu o sonhei, este tema, em todas as suas penas, em sua turva estranheza. Por isso, ave boba e grandalhona, o avestruz se justificou sábado passado. No entanto, os dias correram e ninguém se dispôs a relatar qualquer experiência com um avestruz. Não quis relacionar o dia a dia ao estrutionídeo, nem tecer considerações beckettianas sobre a ideia de que um avestruz também podia esperar Godot – ou ser o próprio, na véspera de carnaval. Não, caros senhores visitantes do clube mais longevo na área da contística. Preferimos matar o avestruz antes de fazê-lo correr pelos lisos pisos do Shopping Sul – o que seria um problema para a direção, para os consumidores, para a fila do banco. Não se põe um avestruz impunemente da imaginação torpe de um dos integrantes para a realidade – também caótica, vá lá, das terras tabajaras. Da pena para o papel não houve sequer uma continuidade. Os contistas, poucos, preferiram evitar o assunto e ficar no mero cafezinho com algum resquício de partida de xadrez. Norma, Regina e Gabryelle sugeriram o tema da ausência. Meu debelado avestruz recolheu-se em penas e enfiou o bico num silêncio atado. Oremos.

André Ricardo Aguiar

terça-feira, 19 de junho de 2012

ATA EM TESE – Ou: Como orientar contistas?


Ata referente ao dia 16 de junho de 2012.

Variação pequeníssima do universo em expansão, devemos analisar nesta tese as implicações contingentes da entrada das cadeiras (E aqui cito Schilling, “as disposições não ferem o caos, apenas o reordena”) com os agentes em atual estado de partilha (contistas) que, imbuídos de indesejados meios em celuloides e copiados para um fim, se notabilizam pela expansão do teor narrativo através de um modus operandi chamado ar versus barulho, com clara desvantagem do último.

É preciso citar, no entanto, que a presença de uma força integradora gera o grupo

como um dínamo não-previsto, onde a raiva de existir pode virar matéria factual e necessária aos mecanismos líricos (Menezes, Laudelino, p. 235)”

De outro modo, a presença de uma autora como Gabryelle justifica, em fartos exemplos, este caráter aglutinador do grupo. Ou, como na definição cartaxiana de teatro da inclusão, “num tem o que discutir, entrou, tá dentro”. (sic)

As referidas normas de conduta – ou na verdade, só uma, de cara inchada, pode ser balizada por n fatores, n exemplos:

a) Contos podem ser lidos, mas jamais encenados por pandas;
b) Contos são inflamáveis, portanto, não faremos reuniões em paiol ou barracas de fogos;
c) Contos não existem sem contistas.

Em resumo, uma reunião que decida, por quase voto unânime, o tema TÚNEL, não pode ser de todo relegada a uma teoria behaviorista de bolso. O comportamento é explicitamente reelaborado para um momento posterior, traduzido ou não, numa forma marcadamente moderada, como no exemplo da chamada ata, e que segundo o filósofo franco-atirador, Michel Teló, diz em tom universalista “Nossa, nossa, assim você me ata / ai se eu te cito, ai ai, se eu te cito”.

AGUIAR, André  Conto e Sociedade em Prol de Clubes ou O Shopping não é Aqui, Idiota! – João Pessoa, 2012, p. 13.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Ata em três atos

Ata referente ao dia 9 de junho de 2012.

1. André achou que eu não existia...

Durante uma aula de Tópicos Especiais em Literatura que nada tinha de teoria literária, que pouco continha de alunos, que não possuía tempo determinado; o professor Sérgio sugere que os “gatos pingados” da turma conhecessem os novos e os velhos autores paraibanos, entre eles: Antônio Mariano, Leo Barbosa, Rinaldo de Fernandes, Astier Basílio... A empolgação da turma foi agradável até que foi solicitado um relatório semanal da produção dos escritores. Detalhe: eles não estão no Wikipédia.  Num desses dias, sem a mínima criatividade, devolvi meu relatório com um poema:

O que me amedronta
não é o desvario que é içado 
por minhas fantasias,
mas, a incompletude
das inconstâncias.

Apavora-me a confiança inerte 
que alimenta de fastio 
o dia seguinte,
por conta do arrebatador que se ausenta
no tempo perdido.

Não temo a vida 
E o seu montante bravio.
Mas, o cuidado desmedido
com a miudeza que permite 
a sentença negada.

Não me intimida o delírio
que sugestiona a medida do insólito.
Insulso o trajeto delineado,
os passos seguros,
por caminhos alinhados.
Roubando as cores do prisma,
Dos minutos do dia...

Eu escolho o inusitado perigo das curvas,
Que no segundo seguinte,
Tudo muda.

Título: indelével.
No outro dia, o professor me chama:
Entre alguns comentários: “- Você conhece o Clube do Conto?”

* * *

2. André achou que eu era mentira...

- Oi André, eu vi seu nome no blog do Clube e queria saber se sábado vai ter encontro, consegui seu número!
- Oi Gabriela, tudo bem? Vai sim, nos encontramos no Shopping Sul às 18h. Você vai!?
- Estarei lá! 

Primeira tentativa: A chuva na cidade deixa milhares de desabrigados. Ônibus parados, impedindo cerca de mil mangabeirenses de sair de suas casas. Previsão de chuva em toda a região até passar a frente fria. Cuidado: possíveis granitos na região dos Bancários.

Segunda tentativa: -Como que eu vou aparecer lá?! – Oi, eu me chamo Gaby... Vocês são do clube do conto? É que eu vi um bocado de cadernos e canecas de café!!! Desculpe foi engano, parecia... Naquele dia, fizera a mais alta maré nos últimos 7 anos e 5 estrelas alinharam-se no céu. Soube dias depois, que o grupo havia se reunido às 17:30 e se dispersaram às 19:00 horas. 

Terceira tentativa: Tive preguiça!

* * *

3. Eu fui e André faltou.

Subi a rampa o mais rápido possível, já passavam das 17:45h, dei uma volta e nada... Passei os olhos pela praça de alimentação e lá estava um grupo: óculos, livros, folhas...Suspeitei, em princípio,  que eram aqueles a quem eu procurava. GEO, verifiquei na farda. Voltei para frente do banheiro e esperei qualquer um que tivesse em mãos um livro. Enfim, um senhor com folhas... Não era bem um livro, mas eu ia tentar. Questionei-o: - Oi, és do clube do conto? – O senhor respondeu: - Clube, que clube?! – entre sorrisos – somos um grupo anárquico. Encontrei! - Suspirei aliviada. Carlos Cartaxo era o seu nome. Aos poucos, outros sujeitos anárquicos surgiram, conheci: Sérgio, Jéssica, Norma e Romarta (fiquei com uma imensa curiosidade de saber se ela jogava bem futebol). Laudelino estava em Recife e achei que André não existia. 

Foram lidos dois contos, o início de outro e um texto que não sabíamos se era fábula ou crônica mais que começava assim: “Sempre tive medo de vaca...” Apresentei-me e contei esta epopeia (agora, sem acento), fiquei encarregada de ajudar Vivi (que ainda não existia) com a correção do livro a ser publicado, outros se apresentaram... Discutimos os contos, rimos e ri de novo da mesma piada do Frei. Lembrei agorinha, ri novamente.

Tema do próximo sábado: Humor

Foi aniversário de Norma dias passados, então, fomos ao Açaí e o assunto ficou mais sério: trabalho infantil, política, greve na UFPB e eu pensando como danado ia fazer essa ata. Até então, eu só havia feito ata de fiscalização e o tal do Nada consta. Pagamos a conta, subimos a rua e aos poucos, os poucos sumiram...

Gabryelle Leal

segunda-feira, 28 de maio de 2012

4 cadeiras


Ata (minimalista) referente a reunião de 25 de maio de 2012.

4 contistas de cantos diferentes
1 paraibano + 1 recifense + 1 carioca + 1 gaúcho = 4 contistas
Foram 4 mesmo? Ou deveríamos recontar?
Laudelino diria: “Reconte”
Próximo tema: Tatuagem

Jéssica Mouzinho

* * *

Ata

Sábado passado, 26/05/2012, o Clube do Conto da Paraíba (CCP) se reuniu no Shopping Sul, sob a brisa da noitinha e a sonoridade passante de criaturas de subiam e desciam a rampa de acesso ao primeiro andar, como se deslizassem no tempo. Estiveram presentes Laudelino, Sérgio, a engenheira escritora Jéssica e esse que vos escreve. Depois do prelúdio que atualizou a todos nós com informações gerais e pessoais, debatemos sobre o livro do CCP, surgiu então a dúvida: quem fará a revisáo final? Em seguida, Lau leu um conto para romper com o intervalo silencioso de seus escritos. Por fim, foi feito uma leitura visual das tatuagens de Sérgio, o que motivou o tema do próximo sábado: tatuagem.

Sem mais para acrescentar, deixo a ata em aberto para que algum(a) colega, escritor, fuxiqueiro ou colaborador possa contribuir...

Até sábado.

Carlos Cartaxo

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Cordel Atado


Ata referente ao dia 5 de maio de 2012.
Aqui então nesta ata
Vou recontar um encontro
Desses que posso lembrar:
Um tal de Clube do Conto,
reunião lá num shopping
próximo ao café do ponto.

Pode-se contar história
Verdadeira ou inventada
Nem precisa de ingresso
Pra contar a sua toada
E chegar e se largar
Numa cadeira escanchada.

Também por aceitação
Se convida o povo alheio
Passarinho curioso,
Mosquinha de entremeio
Tudo muito escandido
Para contar sem receio.

Na contagem deste sábado
Veio o povo costumeiro
E uma tal de Janaina
De talento por inteiro
E demos o pontapé
Que tempo custa dinheiro.

Foi conto pra todo lado
E risadagem também:
Pequena grande Romarta
Deu-nos conto de vintém,
Beto até jogou trocado
Nos despoemas que tem.

Valéria quis desafio,
Norma ficou no padrão,
Laudelino ficou ao lado
Costurando a contação
Era este o tal do ritmo
Do nosso conto-baião.

Ainda Jéssica e Sergio
Na emenda o fio de prosa
Parecíamos um fieis
Gritando em polvorosa
As histórias de calibre
Do Clube que nos entrosa.

Assim eu fecho esta ata
De pavão misterioso
E assino e dou fé
Como quem bota um ovo
Online e redondinho;
Quem quiser conte de novo.

André Ricardo Aguiar