sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Clube do Conto

Clube do Conto

Depois de longas férias e um constrangedor silêncio este blogueiro, quer dizer, o Clube do Conto da Paraiba, aproveita pra fazer barulho internacional!!! Vejam só:

"Professora da UFPB vence prêmio literário em Portugal

A jornalista e professora universitária paraibana Joana Belarmino (membro ativíssimo do Clube do Conto da Paraíba!) venceu, pela segunda vez consecutiva, o concurso de contos literários promovido pela Associação de Cegos e Ambliopes de Portugal (Acapo).
Joana Belarmino foi premiada com o conto "Festa de Ontem", que retrata a velhice. “É um conto muito lírico, muito poético”, comenta, ressaltando ainda que ficou muito honrada quando soube do resultado do concurso, visto que os autores têm que assinar os textos com pseudônimos, para não ter nenhum tipo de influência no resultado.
A professora irá receber o prêmio no dia 10 de março.
“Eles me disseram ter ficado muito surpresos ao abrir o envelope que continha meus dados. Até brincaram comigo dizendo que eu não poderei mais me escrever”, conta a autora, que também foi premiada no concurso do ano anterior. A segunda colocação da competição deste ano também ficou com um brasileiro, residente no Rio Grande do Sul.
Esta edição do concurso homenageia o poeta português Miguel Torga. Os contemplados com a premiação, além de receber uma quantia em dinheiro também visitaram os locais onde o homenageado viveu e receberam obras suas. Joana Belarmino conta que encaminhou um pleito ao prefeito Ricardo Coutinho (PSB), solicitando a contribuição para ir até Portugal e de pronto foi atendida.
Agora, ela tenta junto à Universidade Federal da Paraíba (UFPB) ajuda de custo para despesas em Portugal. “Lá os deficientes visuais não têm gratuidade nos serviços, como no caso de transporte, por exemplo, então tudo fica muito caro”, comenta. " Fonte: Assessoria de Comunicação da Prefeitura de João Pessoa.

Mas tem mais:

MERCEDES CAVALCANTI, nossa Pepita, (também membro ativíssimo do Clube do Conto da Paraíba!) acaba de lançar em Santiago do Chile, dia 26 de janeiro passado, a versão em espanhol de seu romance "O Manuscrito de Hanna", ou "El Manuscrito de Hannah"... no Centro de Estudios Brasileños da Embaixada do Brasil no Chile.

Não chega? Então:

Maria Valéria Rezende (do Clube do Conto, claro!) já está com contrato assinado para a publicação de seu romance "O vôo da guará vermelha" em espanhol, pelo selo Alfaguara, da Santillana, Espanha, em francês pela Editions Metailié da França e também para uma publicação em Portugal, pela Oficina do Livro.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Clube do Conto expõe contos

A exposição Parede Poética está em cartaz no Sesc até o final do mês

A atual Parede Poética do Restaurante da Gente - aberta ontem - mudou de cara. Ao invés da poesia, nove contos se unem à arte visual, numa Parede - ainda inédita - assinada por escritores que participam do Clube do Conto.

A exposição realizada pelo Sesc é aberta, todos os dias, a partir das 10h30 e fica em cartaz até o final do mês.
Nove contos foram escolhidos para integrar a nova Parede Poética, assinados por André Ricardo Aguiar, Cláudio José Lopes, Dora Limeira, Joana Belarmino, Laudelino, Maria Valéria Resende, Raoni Xavier, Ronaldo Monte e Waldir Pedrosa Amorim.

Três anos de clube

Há três anos, cerca de 20 pessoas se reúnem "religiosamente" todos os sábados, às 17h00, para a leitura de contos de uma mesma temática - definida na semana anterior. Os contos são escritos no prazo de uma semana ou duas, dependendo do ritmo do grupo.

Segundo André Ricardo, integrante do Clube desde a sua fundação, cerca de 15 pessoas o freqüentam ativamente e mais de 20 vão de forma rotativa.

O Clube do Conto se reúne no Shoppping Sul, nos Bancários, por trás da Livraria Almeida, aos sábados, por volta das 18 hs.

Correio da Paraíba, João Pessoa, ed. de quarta-feira, 8 de novembro de 2006 (Caderno 2 - P. C-4).

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Duas atas sobre Eclipse (21 outubro)

Eclipse visto por Joana

O eclipse do Rona foi uma transmutação de cara, de ana de lua, que de repente entrou em eclipse total. Pepita virou uma cidadezinha de cabeça para baixo por causa de um eclipse, a ponto de transformar um padre num boi cagão. Cláudio, no seu melhor estilo bem humorado, colocou um achado valioso nas mãos de uma família endividada, mas, quando o homem abriu a caixa do tesouro, era somente clips.
O moço de Porto alegre, Mainiele? enviou sua história de jornalista que vai cobrir um eclipse mas acaba entrando em situação de cópula com o seu fotógrafo. Valéria também veio provida com uma caixinha machetada, um armário e o escuro para o amor e o desamor. O meu eclipse foi para homenagear Belo, meu irmão, que acabou finalmente seu doutorado na UFCG. Raoni trouxe a eterna briga do irmão mais velho, que conseguiu eclipsar o mais moço, na hora de verem o eclipse.
Ainda pegamos nossa quota de livros livres, foi muito bom!

Joana Belarmino


Eclipse visto por André

Eu prometi que faria a ata, mas acho que será a ata mais irresponsável dos últimos tempos. Baseada numa vaga lembrança.
Os eclipes foram a contento. Contos que foram observados a olho nu, sem interferências de nuvens.
Estiveram presentes muitos como Dora, Barreto, João, Mariano, Joana e Belo e a menina que esqueci o nome, Pepita e Valéria, Cláudio e Raoni. E me bate agora uma dúvida.. alguém mais? Algum fantasma?
Decidimos pelo tema Autógrafo.
E estamos fechados com a programação para o dia 9/11 na Biblioteca, com contos sobre biblioteca.
E foram distribuídos livros para o projeto Livro Livre.
Algo mais?
Quem quiser que conte - e corrija - outra (ata).

André

Obs.: A menina de nome esquecido é a filha de Joana, Mariana.

Ata do Barulho (14 de outubro)

Teve muito barulho no sábado passado (dia 14 de outubro), compareceram, eu, Ronaldo, Barreto, Valéria, Dôra, Pepita, André, João, Alexandre e sua mãe, Cláudio, Raoni, mais uma mulher (que não lembro o nome), Waldir e não sei se esqueci alguém, foram muitas pessoas. André, Valéria, Ronaldo, João, Cláudio, Waldir e Pepita (não necessáriamente nesta órdem) fizeram muita zuada com seus contos; Dôra e Ronaldo pediram silêncio porque adentraram no tema biblioteca; eu refleti e finalizei as leituras com o tema espelho. Tiramos um tempinho para discutirmos a respeito do projeto livro livre e sobre um futuro conto com o tema hepatite. No final, ficou decidido que o próximo tema será ECLIPSE, lunar ou solar, tanto faz.

Observação enviada por André: A mulher em questão é uma entusiasta do Clube, chamada Anne Catão.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Autores do Clube do Conto: Ronaldo Monte 4

Clube do Conto

A oficina no porão

Sérgio Castro Pinto

Desde há muito existe uma espécie de discriminação com o Regionalismo. E eu não tenho dúvidas: é mais uma estratégia de parte da crítica preconceituosa do sudeste para desqualificar um movimento que foi quem melhor respondeu aos anseios de se responder ao Brasil a partir do Brasil. Quem, depois de 1930, superou, em termos de qualidade, a ficção brasileira de 1930? Guimarães Rosa? Mas, o próprio Rosa se abeberou, e muito, do regionalismo. No entanto, para muitos, o Regionalismo acabou. Acabou coisa nenhuma! Nenhum assunto se esgota, a não ser que não se tenha engenho e arte para se inovar, através do estilo, avesso a clichês, jargões e chavões.. E chego ao que eu quero: Ronaldo Monte. É regionalista? É. Mas de um regionalismo da alma que, ao fim e ao cabo, termina em se transformar universal.

Existe uma história de Jung segundo a qual o homem tem medo do porão. E realmente tem, pois, afinal de contas, o porão é subterrâneo, é a ausência do sol, é um mundo impregnado de sombras, de objetos imprestáveis, heteróclitos, desencontrados, faltos de tudo e de todos.

Daí, ainda segundo Jung, o homem preferir o sótão em função do seu medo, pois o sótão é o consciente, o mundo claro, solar, onde tudo é bem visível, previsível e definido.E tanto é assim que o próprio Jung arremata: "A consciência se comporta então como um homem que, ouvindo um barulho suspeito no porão, se precipita para o sótão para constatar que aí não há ladrões e que, por conseqüência, o barulho era pura imaginação. Na realidade esse homem prudente não ousou aventurar-se ao porão".

Em outras palavras, no sótão - reduto do consciente - o homem não só racionaliza os seus medos como cria mecanismos de defesa para melhor combater os seus fantasmas, fobias, neuroses e angústias, ao passo que no porão - reduto do inconsciente - a "racionalização é menos rápida e menos clara".

Ronaldo Monte montou a sua oficina de escrever no porão. E, como bom e ousado psicanalista que é, escreveu a partir daí o excelente "Memória do fogo" (Editora Objetiva Ltda, Rio de Janeiro, 2006), cujos personagens, "Precocemente fracassados, perdidos em algum ponto do Nordeste Brasileiro - conforme bem o diz Rosa Amanda Strausz -, perderam-se também do fio que conduz à vida. Em volta do fogo, partilham apenas da cachaça, água que queima". Os estranhíssimos viventes de Ronaldo são sombras que só ardem e "brilham" ao pé das fogueiras acesas. E embora de carne e osso, parecem fantasmas saídos de um livro-porão: este "Memória do fogo", um dos grandes lançamentos do ano de 2006.

Jornal O Norte, 5 de outubro de 2006.