domingo, 16 de setembro de 2012

Ata do dia 15/09/2012


Ata referente ao dia 15 de setembro de 2012.

A ata está sendo lida neste exato momento.

A reunião já estava no meio quando orelhas entraram em pauta. As orelhas no caso pertenciam ao livro do nosso grupo que ainda será lançado. Queriam que na capa viesse a foto de todos, "como são muitos, não cabem nas orelhas", muitos brincos, acessórios que nem cacique suporta.

Antes disso, no começo, houve um primeiro encontro de membros perdidos no café, do primeiro andar. Pensou-se não haver número de participantes necessário para a reunião, nem contos. Ledo engano. Começou a aparecer gente. Os de sempre, e uns outros que chegaram pela primeira vez. Como é de lei, faltaram cadeiras e organização. Uma porta de vidro tentou impedir a passagem, sorte dela não estar trancada, entramos.

Lá, acolhidos e encolhidos, em pé, em cadeiras, encostados em escadas, foram debulhados os contos. Suênia, Beto e Gabryelle nessa ordem leram. Comentários brotaram. Traço, hífen, hímen, barra, travessão. Na contramão do tempo, foram chegando mais gente. E a contento, na justa medida, todos ficaram contentes com a reunião.

O tema NUVEM foi dissolvendo e virando o novo, o espetacular, o magnífico. tema RELEITURA.

Betomenezes

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Ata - Sobre universos novos e antigos


Ata referente ao dia 1 de setembro de 2012.


É impressionante como um passo pode te levar para um universo totalmente novo. Universo, às vezes, de poucas cadeiras e de alguns breves contos, mas que te abraça com a mesma graça com que o criador — nada divino — teve ao criá-lo. E é o que somos: desbravadores de um universo finito, mas que não tem tamanho em nosso coração.

Quando saí de casa, meu universo natural, não tinha grandes perspectivas de encontro para aquela noite de sábado. Talvez alguns rostos novos, alguns talentos maiores que o meu. Nada realmente capaz de me animar, nada que me tirasse a dúvida de porque sair de casa. De inicio fiquei abalado, estava sozinho. Possuía meus cigarros e um punhado de dúvidas. Isso eu já tinha em casa. Uma ou outra estrela brilhava ao meu redor, não vou mentir, mas eu não tinha força suficiente para me mover até ela, eram luzes distantes demais. Isso, porém, não tardou a mudar. Encontrei um rosto desconhecido, mas que, por um momento, me soou como algo extremamente familiar. Era o Laudelino.

“Opa, está aqui para o clube do conto?”
“Estou.”

E daí por diante, uma pequena explosão deu inicio a um pequeno universo que eu não esperava encontrar. Diversos astros se juntaram a dança, um círculo imperfeito sobre algumas cadeiras brancas. Eu era parte daquilo? Não sei. Mais seis astros saltitavam euforicamente ao meu redor, alguns eram planetas, outros eram estrelas, mas todos eram algo. E por que não ser? Eles se construíam e se destruíam sobre a desordem — ordem, para os mais conservadores — da literatura. Houve um planeta em que uma árvore de ângulos perfeitos brotou. Mas houve poucas testemunhas de tal feito, e ela acabou virando pó. Do pó ao pó. Outro foi habitado por monstros antiquados, daqueles que diminuem. Certo ele, que orbitou sobre monstros consistentes, sem máscaras ou outros adereços. Monstros não choram, planetinha. E no fim, não existiu fim. E eu era matéria prima para um novo corpo celeste. É engraçado como encontramos universos, simplesmente virando a esquina ou atravessando a cidade.

Rogério Murdoc

Adendo: Lista dos presentes na reunião: André, Manuela, Norma, Rogério, Romarta, Laudelino e Regina Behar. Próximo tema (pro dia 8/9): SONHO.

domingo, 29 de julho de 2012

Avestruz e uma ata

Ata referente ao dia 28 de julho de 2012.


Não queria revelar aos integrantes do clube que os meus motivos para indicar o avestruz como tema são obscuros. Eu o sonhei, este tema, em todas as suas penas, em sua turva estranheza. Por isso, ave boba e grandalhona, o avestruz se justificou sábado passado. No entanto, os dias correram e ninguém se dispôs a relatar qualquer experiência com um avestruz. Não quis relacionar o dia a dia ao estrutionídeo, nem tecer considerações beckettianas sobre a ideia de que um avestruz também podia esperar Godot – ou ser o próprio, na véspera de carnaval. Não, caros senhores visitantes do clube mais longevo na área da contística. Preferimos matar o avestruz antes de fazê-lo correr pelos lisos pisos do Shopping Sul – o que seria um problema para a direção, para os consumidores, para a fila do banco. Não se põe um avestruz impunemente da imaginação torpe de um dos integrantes para a realidade – também caótica, vá lá, das terras tabajaras. Da pena para o papel não houve sequer uma continuidade. Os contistas, poucos, preferiram evitar o assunto e ficar no mero cafezinho com algum resquício de partida de xadrez. Norma, Regina e Gabryelle sugeriram o tema da ausência. Meu debelado avestruz recolheu-se em penas e enfiou o bico num silêncio atado. Oremos.

André Ricardo Aguiar

terça-feira, 19 de junho de 2012

ATA EM TESE – Ou: Como orientar contistas?


Ata referente ao dia 16 de junho de 2012.

Variação pequeníssima do universo em expansão, devemos analisar nesta tese as implicações contingentes da entrada das cadeiras (E aqui cito Schilling, “as disposições não ferem o caos, apenas o reordena”) com os agentes em atual estado de partilha (contistas) que, imbuídos de indesejados meios em celuloides e copiados para um fim, se notabilizam pela expansão do teor narrativo através de um modus operandi chamado ar versus barulho, com clara desvantagem do último.

É preciso citar, no entanto, que a presença de uma força integradora gera o grupo

como um dínamo não-previsto, onde a raiva de existir pode virar matéria factual e necessária aos mecanismos líricos (Menezes, Laudelino, p. 235)”

De outro modo, a presença de uma autora como Gabryelle justifica, em fartos exemplos, este caráter aglutinador do grupo. Ou, como na definição cartaxiana de teatro da inclusão, “num tem o que discutir, entrou, tá dentro”. (sic)

As referidas normas de conduta – ou na verdade, só uma, de cara inchada, pode ser balizada por n fatores, n exemplos:

a) Contos podem ser lidos, mas jamais encenados por pandas;
b) Contos são inflamáveis, portanto, não faremos reuniões em paiol ou barracas de fogos;
c) Contos não existem sem contistas.

Em resumo, uma reunião que decida, por quase voto unânime, o tema TÚNEL, não pode ser de todo relegada a uma teoria behaviorista de bolso. O comportamento é explicitamente reelaborado para um momento posterior, traduzido ou não, numa forma marcadamente moderada, como no exemplo da chamada ata, e que segundo o filósofo franco-atirador, Michel Teló, diz em tom universalista “Nossa, nossa, assim você me ata / ai se eu te cito, ai ai, se eu te cito”.

AGUIAR, André  Conto e Sociedade em Prol de Clubes ou O Shopping não é Aqui, Idiota! – João Pessoa, 2012, p. 13.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Ata em três atos

Ata referente ao dia 9 de junho de 2012.

1. André achou que eu não existia...

Durante uma aula de Tópicos Especiais em Literatura que nada tinha de teoria literária, que pouco continha de alunos, que não possuía tempo determinado; o professor Sérgio sugere que os “gatos pingados” da turma conhecessem os novos e os velhos autores paraibanos, entre eles: Antônio Mariano, Leo Barbosa, Rinaldo de Fernandes, Astier Basílio... A empolgação da turma foi agradável até que foi solicitado um relatório semanal da produção dos escritores. Detalhe: eles não estão no Wikipédia.  Num desses dias, sem a mínima criatividade, devolvi meu relatório com um poema:

O que me amedronta
não é o desvario que é içado 
por minhas fantasias,
mas, a incompletude
das inconstâncias.

Apavora-me a confiança inerte 
que alimenta de fastio 
o dia seguinte,
por conta do arrebatador que se ausenta
no tempo perdido.

Não temo a vida 
E o seu montante bravio.
Mas, o cuidado desmedido
com a miudeza que permite 
a sentença negada.

Não me intimida o delírio
que sugestiona a medida do insólito.
Insulso o trajeto delineado,
os passos seguros,
por caminhos alinhados.
Roubando as cores do prisma,
Dos minutos do dia...

Eu escolho o inusitado perigo das curvas,
Que no segundo seguinte,
Tudo muda.

Título: indelével.
No outro dia, o professor me chama:
Entre alguns comentários: “- Você conhece o Clube do Conto?”

* * *

2. André achou que eu era mentira...

- Oi André, eu vi seu nome no blog do Clube e queria saber se sábado vai ter encontro, consegui seu número!
- Oi Gabriela, tudo bem? Vai sim, nos encontramos no Shopping Sul às 18h. Você vai!?
- Estarei lá! 

Primeira tentativa: A chuva na cidade deixa milhares de desabrigados. Ônibus parados, impedindo cerca de mil mangabeirenses de sair de suas casas. Previsão de chuva em toda a região até passar a frente fria. Cuidado: possíveis granitos na região dos Bancários.

Segunda tentativa: -Como que eu vou aparecer lá?! – Oi, eu me chamo Gaby... Vocês são do clube do conto? É que eu vi um bocado de cadernos e canecas de café!!! Desculpe foi engano, parecia... Naquele dia, fizera a mais alta maré nos últimos 7 anos e 5 estrelas alinharam-se no céu. Soube dias depois, que o grupo havia se reunido às 17:30 e se dispersaram às 19:00 horas. 

Terceira tentativa: Tive preguiça!

* * *

3. Eu fui e André faltou.

Subi a rampa o mais rápido possível, já passavam das 17:45h, dei uma volta e nada... Passei os olhos pela praça de alimentação e lá estava um grupo: óculos, livros, folhas...Suspeitei, em princípio,  que eram aqueles a quem eu procurava. GEO, verifiquei na farda. Voltei para frente do banheiro e esperei qualquer um que tivesse em mãos um livro. Enfim, um senhor com folhas... Não era bem um livro, mas eu ia tentar. Questionei-o: - Oi, és do clube do conto? – O senhor respondeu: - Clube, que clube?! – entre sorrisos – somos um grupo anárquico. Encontrei! - Suspirei aliviada. Carlos Cartaxo era o seu nome. Aos poucos, outros sujeitos anárquicos surgiram, conheci: Sérgio, Jéssica, Norma e Romarta (fiquei com uma imensa curiosidade de saber se ela jogava bem futebol). Laudelino estava em Recife e achei que André não existia. 

Foram lidos dois contos, o início de outro e um texto que não sabíamos se era fábula ou crônica mais que começava assim: “Sempre tive medo de vaca...” Apresentei-me e contei esta epopeia (agora, sem acento), fiquei encarregada de ajudar Vivi (que ainda não existia) com a correção do livro a ser publicado, outros se apresentaram... Discutimos os contos, rimos e ri de novo da mesma piada do Frei. Lembrei agorinha, ri novamente.

Tema do próximo sábado: Humor

Foi aniversário de Norma dias passados, então, fomos ao Açaí e o assunto ficou mais sério: trabalho infantil, política, greve na UFPB e eu pensando como danado ia fazer essa ata. Até então, eu só havia feito ata de fiscalização e o tal do Nada consta. Pagamos a conta, subimos a rua e aos poucos, os poucos sumiram...

Gabryelle Leal