segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Traje atado ou desatado?

Não é ilusão, as atas do Clube do Conto estão de volta. Só assim pra você saber um pouquinho do que se passou na última reunião.

* * *

Ata referente ao dia 15 de janeiro de 2011.

Ata! Você está me pedindo para fazer uma ata? Pelo amor de Deus Lau, que caretice é esta! Não Regina, as do clube são exercícios de escrita, você pode fazer do seu jeito. Mas pelo amor de Deus, veja só esta palavra: é a mesma, lida de trás pra frente ou de frente pra trás, palavra fechada, que prende, tenho medo! Bora lá Regina, não se preocupe. Mas tenho medo! Medo, entende?, lembre lá, da Música do Raul Seixas que o Denser baixou no computador: Pa-ra-noi-a. Entro em noia, parece regressão na minha vida, eu que joguei tudo pro alto... ata!?...

Bora lá, bora lá, é tudo que mais ouço na Paraíba... Tudo bem, azeite café com leite, vou fazendo assim, deixando as lembranças sobre a noite saírem em fluxo, sem muita preocupação.

Uma noite de cores, Cabo Branco. E brancas eram as paredes da sala do Beto, branca a revista -ponto,-, brancas as blusas de Regina e Joana ( gente, Joana tem uma filha linda, de uma delicadeza de rosto!). Colocamos num canto, pra não dizer a palavra “aresta” e copiar o texto do Beto, colocamos num mesmo canto (canto de parede, viu?) todos os que estavam com blusa verde: Bonifacio, Hildeberto e Laudelino. Havia muito vermelho em função do sangue nos textos de Norma e Denser (tive vontade subir o fio da teia de aranha que perfurava o teto e ia em direção ao infinito) e um amarelo comportado, sentado em seu cantinho, lembrando a Magali. De dois outros tenho vagas lembranças (Vivi e André), talvez uma peça de roupa listrada ou quadriculada, de cor esmaecida, peças que não ficaram gravadas em minha memória. Mas, indiscutivelmente, a cor marrom predominou, por conta de um festival de café que aconteceu ali, das 18:oo às 21:30 (acho que 21:30, porque eu saí antes do fim). Fim. (mas tenho certeza absoluta que alguém morreu soterrado)

Regina Lopes Maciel

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Conto coletivo (em dupla)

Feliz 2011 a todos!!!

Depois de um longo e tenebroso inverno, atualizamos o nosso blogue com um conto coletivo, escrito por Raoni e Betomenezes. Divirtam-se!

* * *
Onde está Mingau?
Raonix/betomenezes
As brigas por causa de Mingau eram uma coisa corriqueira. Quem conhecia o casal, desde antes do enlace, já imaginava que Mingau seria um problema. Pobre Mingau. Talvez nada tivesse a ver com as desavenças. Talvez o problema estivesse na cabeça de seus donos: Magali e Marcelo.
Magali insistiu "Ele vem com a gente", e Marcelo, louco apaixonado, aceitou a condição, como quem olha o barco passar. E dessa maneira passaram-se dois anos, dois longos anos de Mingau a flutuar sobre o rio de ódio de Marcelo. A presença do bichano já se tornara insuportável.
"O que você fez com ele!?", gritou Magali possessa. No seu olhar não havia piedade e em sua mente não cabia outra explicação. Já não parecia estar falando com seu marido Marcelo, mas sim com o possível assassino do Mingau. Marcelo ficava na defensiva: "Deve ter achado uma namorada!".
Uma semana se passou sem notícias do gato. Cartazes com fotos de Mingau povoaram os postes das redondezas. Programas de rádio, televisão, jornais, todos gritavam em uníssono: "Onde está Mingau?!"
Quando as esperanças já se tornavam um farelo de polvilho sobre a mesa, um e-mail chegou. O título já dizia tudo. “Estamos com seu gato, espele novas instluções”. Em anexo, uma foto do gato deitado, repousando sobre um jornal do dia. E na ponta da fotografia, um espécie de cano que parecia ser... era de uma arma.
Magali desesperada deu um grito, “Meu Deus, Marcelo”. Marcelo não sabia o que falar. “Só pode ser o Cebolinha, ele nunca superou a nossa relação”. “Ele não chegaria a este ponto”, Marcelo tentou manter a calma, mesmo sabendo que o bandido se denunciara no seu modo de escrever, que era sua assinatura.
As drogas levaram Cebolinha a um caminho que desembocara na sua separação com Magali, situação essa que ele não superou, ainda mais depois do trágico suicídio de Mônica, sua melhor amiga. Cebolinha sabia o quanto Mingau era importante na vida de Magali, todas as lembranças que ele tinha (desde a infância) associavam a moça ao gato. Ter o gato perto dele, talvez fosse o último ato desesperado do desgarrado.
Foram as mais longas cinco horas que o casal esperou. Cebolinha, com requintes de crueldade, esperou que a madrugada desembocasse para só então mandar a segunda mensagem: “O gato vive. Por enquanto”. Só. “O que você quer, filho da puta?”, respondeu Magali na mesma hora. E em instantes, veio a exigência: “Você ”. E logo depois, a segunda mensagem com mais uma exigência: “Venha com aquele vestidinho amalelo, sem nada por baixo”.
Marcelo não acreditava naquilo. Magali boquiaberta, precisou de dez minutos para aceitar, “Marcelo, Cebolinha é louco, sempre teve alucinações com um homem perseguindo ele. A mãe dele o levou ao psiquiatra várias vezes. Ele tem um caso raro de distúrbio mental. Imagina uma pessoa que é calva desde menino. Ele é capaz de tudo”. “O que você quer dizer com isso, Magali? Vou ligar pra polícia agora”. “Não, eu conheço bem ele...”. Na hora que ela falava, chegou o terceiro email do meliante: “E então, Magali, estou espelando com Mingau e meia melancia. Nem pense em ligar plo 190. Ou mando outra foto com seu gatinho engasgado de caloços, ou cheio de fulos, entendeu?”.
Magali foi ao guarda-roupa e tirou do lá do fundo o vestido que sempre lhe caíra bem, antes que a obesidade a atacasse. Ainda coube, com aperto. “O que você está fazendo?”, vociferou o marido. “Eu vou Marcelo... Tenho coisas mal resolvidas para acertar”.
Depois que ela bateu a porta, Marcelo chorou meio que conformado.
Em vinte minutos Magali chegou no apartamento de Cebolinha. Entrou então sem, bater. Garrafas de uísque vazias estavam espalhadas pela sala. Capas de DVDs de filmes pornôs sobre a mesa. Ela foi ao quarto. Lá, Cebolinha cheirava alguma droga. Seus dois últimos fios de cabelos escondiam a careca. Seu olhar era profundo e louco.
“Onde está o Mingau?”, ela interrogou ao mesmo tempo que procurava.
“Com o Bidu e Floquinho”, ele ironizou. Os olhos dela arregalaram-se. Bidu, o cachorro de Franjinha, foi atropelado por um caminhão e seus pedaços se espalharam pela rua. Floquinho, o do próprio Cebolinha, comera veneno que dizem até hoje ter sido posto por Cascão, numa das brigas com o ex-amigo durante a adolescência.
“O quê?” O grito de Magali chegou perto de rachar os tímpanos do rapaz.
“Você gosta de felino a/à Palmegiana?”
“Não, você não seria capaz de fazer isso!”.
“Com um molho de tomate e um macalão que é uma delícia”.
“Cebolinha, você não...”
“Fiz o que aquele melda do teu malido nunca vai fazer por você.”.
“Meu mingau...”, ela chorou e sentou na cama ao lado do drogado.
“Confesse, meu amor, que ela o seu sonho!”.
“Seu merda, por que a/à Parmegiana? Depois desse tempo todo, você não sabe que eu prefiro a/à Cubana”.
E cearam quando amanhecia: Magali com os olhos na carne do gato, Cebolinha com o olhar perdido no vestidinho amalelo.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Miniatas no microblog

As atas extensas estão dando uma preguicinha na hora de fazer, por isso, entramos na onda das miniatas, as quais estão sendo postadas no nosso blog junior, o famoso twitter do Clube: www.twitter.com/clubedoconto.

Aproveitem e nos sigam.

Imagem retirada de http://leresentir.files.wordpress.com/2008/04/pardal3-730515.jpg

sábado, 15 de maio de 2010

Ata Mágica

Ata referente ao dia 8 de maio de 2010.

O primeiro a chegar foi o desenhador. Tentava se redimir dos atrasos passados. Esperou pelos outros chupando um picolé. Na mesa ao lado um dragão o observava com interesse.

A segunda a chegar foi a guerreira Joana, acompanhada da fiel escudeira Mariana. Juntaram-se ao desenhador. Os três dividiram uma cerveja enquanto discutiam sobre quadrinhos e as novidades tecnológicas. Nenhuma das duas parecia notar o dragão.

Beto, o Bárbaro, chegou ao mesmo tempo que a Fada Romarta, quase causando um colapso mágico. Ele jogou seu machado ao pé da mesa, enquanto ela se depositou sobre a cadeira, feito barro no fundo do rio.

Mais tarde, trazidos pelos bons ventos, chegaram a Comendadora Limeira, André o Mago, o Samurai Lau e a Vidente Regina, que conhece os segredos do I Ching. Um outro dragão sentou-se na mesa ao lado para acompanhar o primeiro. O desenhador perguntava-se se era efeito do álcool.

O taberneiro cuidou de servir os petiscos: pão com berinjela e filé de hydra. Enquanto comiam, os viajantes começaram a contar suas histórias sobre o orégano do crime organizado, sem o “ó”.

A Feiticeira Valéria mandou sua história pelo Bárbaro. Escondeu magicamente um “ó” nas entre-letras da palavra engulir, pegando a todos de surpresa. O Mago André foi atraiçoado por um “ó” fujão. E a Guerreira Joana atingiu uma artéria e fez jorrar “ós” sobre os presentes. Nesse ínterim, as outras mesas já estavam lotadas de dragões, de várias cores e tamanhos, e todos olhavam o desenhador com interesse.

Por último chegou Alfredo, o Mineiro, e Cartaxo, o Sátiro, acompanhado de Cláudia das Terras Longínquas. Em seus rastros chegaram três nobres visitantes, sedentos por histórias: Lorde Erasmo, Milady Iaponira e Milady Clarissa.

O Bárbaro Beto desferiu bravatas a respeito da ciência, o que gerou uma breve batalha religiosa.

A história da fada deu origem a outra discussão. O Bárbaro Beto e o Mineiro travaram uma batalha com a Guerreira Joana sobre o desenvolvimento do estilo literário. As espadas faiscaram e a batalha foi longa, mas Romarta jogou seu pó de pirlimpimpim e pôs fim no certame.

Alheio, o desenhador já podia ver os dragões afiando suas garras e gargarejando óleo quente, quando foi salvo pela presença luminosa da Barda Tamires. Tão logo ela sentou-se ao seu lado, as feras aladas desapareceram.

Por último foram escolhidos os temas do próximo encontro: compulsão e amor a 1.ª vista.

Raoni Xavier

Imagens retiradas de:
- http://images1.fanpop.com/images/image_uploads/Dragons-of-Massive-Geek-dungeons-and-dragons-1004082_771_762.jpg
- http://www.g4g.it/g4g/wp-content/uploads/2009/06/dungeons_and_dragons_free_online_01.jpg

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A(tv)A - o Clube na tevê

O que é o que é? É um pouco janela e porta encostada, desenrola-se feito pergaminho, ecoa vozes que não estão presentes e outras que fazem alarido, tem gosto de javanês e se não tem um lima, acha-se um barreto, começa clarinho e vai escurecendo e se não é fogueira se vira com lâmpadas e no lugar da sopa de letrinhas vem suco de histórias, risadas a la carte, papo de madeira e vidro, viagem interplanetária e escada de palco com vozes entrecortadas ou som de tuba, tudo servido com carinho e balbúrdia – mas se entende tudinho, pois é paixão a todo custo e a todo conto.

Sem falar que no recheio sabemos que é o gosto do sábado sem pressa de domingos. E como foi sábado e até equipe de TV se abancou, testemunharam e participaram os seguintes contonautas: Valéria – que deu conta da história – e André, falando da dinâmica, além de Romarta, explicando porque faz bem entrar na toca – e Luciana, lendo e comprovando que se lê, e até Ronaldo, dizendo porque escritor marmanjo também sai ganhando – e Vivi, dizendo que não precisa fazer nada, se quiser, só ouvir e ter prazer. Também contribuíram pra o bom andamento Beto Menezes, Raoni, Alfredo e com posterior presença, Regina Behar e Laudelino.

O Clube, claro, não se fez de rogado e falou muito e mostrou a boa e velha informalidade com os contos, as pessoas, as fofocas e as críticas. Teve olhar de curioso, teve pedinte, teve participação do dono do pedaço e muita desorganização ordeira. Nada que nos seis anos de vida não fosse tão normal quando uma xícara de café vir quentinha. Com mais um pouco, e com as leituras em dia, decidimos por tema um desenlace duplo: contos escritos sem a letra “o” e máfia. E quem não levar conto dessa estirpe, não precisa tremer nas bases. Falta do que escrever também é cosa nostra.

André Ricardo Aguiar

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Confiram a matéria da TV

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