sexta-feira, 7 de abril de 2006

Clube do Conto

Clube do Conto - História do Clube - 6º capítulo
SEXTO E ÚLTIMO CAPÍTULO – Novas gentes, novo espaço, novas idéias.

Acomodados, descortinando o estacionamento externo e as pessoas passantes na rua, dispondo de três mesas, doze ou quinze cadeiras, inauguramos o novo espaço. Por coincidência, esses tempos de mudanças trouxeram João Batista B. de Brito e Carlos Cartaxo ao convívio dos sábados à tardinha. Excelente aquisição. Já no novo espaço, enquanto conversamos, lemos textos e sorrimos, as pessoas na rua nos olham com certa curiosidade, uns achando que estamos em algum cursinho, outros pensam que fazemos estudo bíblico, outros indagam se estamos em reuniao da paz pela paz. Um menino que toma conta dos carros falou para Mariano: “Já vai para a aula, professor?” Um senhor bastante idoso, quando me dirigi ao carro após uma das reuniões, perguntou se qualquer pessoa pode participar “nesse tal de clube do conto”, se existe limite de idade, se é de graça, o que precisa para participar, se precisa se cadastrar. Às vezes as pessoas se intrigam e, querendo saber do que se trata, resolvem se aproximar, sentar e participar, nem que seja meteoricamente. Uma das coisas boas daquele espaço é que fica às margens de um pequeno jardim, a grama muito verde. Do local das reuniões dá para se ver toda a extensão da frente e da lateral da casa de Valéria.

Assis da livraria Almeida mandou fazer uma faixa grande e mandou colocar no alto da parede, escrito assim na faixa: “Clube do Conto da Paraíba”. Fábio, do Cafezinho, se dispôs a segurar a infraestrutura de cafezinho, chocolate, água e outras coisas que a gente por ventura venha a precisar.

Claro que nem tudo são apenas jardinzinho e grama verde, cafezinho e chocolate, contos e capítulos de romances. É verdade que às vezes passa um trio elétrico em frente ao clube, no meio da rua a gritar fazendo propagandas de lojas, lanchonetes, peças de teatro besteirol, etc. Mas, são coisas passageiras, e fazem parte.

Lembro-me de que um dos primeiros temas já no espaço novo foi exatamente “celular”, aproveitando o mote de uma companheira cujo celular não parava de disparar: era a filha. No sábado seguinte, antes de iniciarmos as leituras, decidimos juntar todos os celulares no centro da mesa e deixar que tocassem sem que ninguém atendesse. Seria o objeto de cena para as leituras dos textos. Dira fotografou, por sinal ficou ótima a fotografia daquele monte de celulares amontoados no meio da mesa, uma das melhores fotos. Ainda guardo em meus arquivos.

As semanas foram se passando. Um grupo de pessoas mais entusiasmadas sentiu necessidade de maior divulgação do grupo. Daí surgiu a idéia de Barreto de André de editar as “Atas do Clube do Conto”, que deveriam ser espalhadas onde fosse possível espalhar como forma de divulgação de nossos trabalhos. O primeiro número trouxe os textos em torno do tema “Teias”, e gerou comentários no Correio das Artes e uma certa polemica. Tudo bem. Foi bom, porque nos divulgou.

Mais gente chegava. Uma onda de jovens começou a invadir. Alexandre, o mais novo, 16 anos, Raonix, 21 anos, Laudelino, 22 anos, e um rapaz que de vez em quando aparece: Eduardo, 20 anos. Gente muito participativa e curiosa, querendo fazer, escrever, aprender. Raonix é excelente chargista, além de contista e pretende fazer as charges de todos os participantes. já fez a minha e a de Mariano, por sinal, muito boas.

Agora, há a perspectiva de publicaçao de antologias do Clube do Conto - "Histórias de sábado" -, caso o BNB aprove nosso projeto. E a FUNJOPE de João Pessoa só está esperando que lhe entreguemos a seleção de contos para lançar outra antologia do Clube. Tomara.

Assim tem sido a história de uma idéia nova – a concepção do Clube do Conto. Muito simples, esta idéia tem se mostrado charmosa, atraindo gente de várias faixas etárias que interagem, criam, desafiam, aceitam desafios. Sem hierarquia, sem exigências de diplomas nem currículos, sem academicismos ou doutorados, a coisa tende a se renovar.

Encerro aqui este meu trabalho. Mas a história não se esgotou. São muitas e muitas as nuances, muitas e muitas as facetas. Admito que exagerei no factual, mas essa era minha proposta.

Dôra Limeira

2 comentários:

Anônimo disse...

Gente! Que beleza! Eu pensei que já tinha perdido o texto dessa história, já que meu compu deverá chegar do "conserto" todo formatado. Poxa vida... que legal encontrar a história do clube aqui. Muito grata a quem de direito. Faz tempo que venho tentando comentar algo aqui. Espero que dessa vez, consiga.

Anônimo disse...

Bem. Eu consegui comentar, mas esqueci de me identificar.
Dôra Limeira